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SÃO PAULO – Para ensinar os filhos sobre dinheiro, os pais devem ser pacientes e dar um bom exemplo, lidando eles mesmos de forma adequada com seu orçamento. Além disso, para ser bem sucedido na missão de educar os mais jovens, vale a pena contar com alguns recursos, como cartões pré-pagos, cartões de débito e um planilha eletrônica bem elaborada.
Em relação aos recursos que os pais podem contar, o educador financeiro Mauro Calil começa falando sobre os cartões. Antes de mais nada, a sugestão é que os pais só ofereçam uma modalidade de cartão quando seus filhos atingirem 12 ou 13 anos.
A mesada já deve começar a ser administrada desde os 7 anos, mas é mais interessante que, nesse momento, a criança receba o dinheiro em espécie. Isso é importante, por alguns fatores. Em primeiro lugar, é interessante que a criança veja o número de notas diminuindo ao longo da semana. “Ele precisa ver o dinheiro indo embora, isso vai ser muito importante”, diz Calil.
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Na prática, se o pai dá R$ 50 de mesada por semana, em dez notas de R$ 5, o filho vai observando que no começo ele tinha um montinho e, depois dos seus gastos, esse montinho sumiu. Qualquer modalidade de cartão, seja de crédito, débito ou pré-pago, não permite essa observação.
A segurança do cartão
Além disso, dos sete aos 13 anos, a criança está restrita basicamente à escola, à sua casa e a um ou outro local que normalmente vai acompanhada dos pais. Se um dos grandes trunfos dos cartões é ser um recurso mais seguro do que o dinheiro, nesse pequeno mundo que a criança vive até os 13 anos, ela não corre tantos perigos de roubo, a ponto de ser necessário ter um cartão.
Passando dos 12 ou 13 anos, o mundo do jovem já começa a aumentar e ele passa a frequentar o shopping com os amigos, o cinema e as festas de modo geral. Aí, sim, lidar apenas com dinheiro em espécie deixa de ser indicado. Nessa idade, Calil recomenda que os pais considerem oferecer um cartão.
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A sugestão é que o cartão de débito, caso seja a escolha do pai, tenha o limite do cheque especial bloqueado. Alguns bancos também oferecem um cartão pré-pago, em que o pai deposita certa quantia e o jovem vai gastando até acabar esse crédito. O cartão de crédito também é uma opção, claro que com um limite bem pequeno.
Acompanhamento
O importante, ao oferecer qualquer tipo de cartão, é acompanhar os gastos do filho. Calil sugere que os pais sentem com os jovens aos finais de semana, por exemplo, e analisem o extrato juntos. Sem esse acompanhamento, o jovem não aprende muito. Vale também ensiná-lo a elaborar uma planilha de gastos, no computador.
Se a ideia for educar financeiramente seus filhos e ainda contar com as ferramentas disponíveis no mercado para controlar os gastos, é essencial o acompanhamento dos pais. Para Calil, os cartões e as modalidades pré-pagas só ajudam no ensino, se os pais estiverem presentes.
Celulares
No caso dos gastos com celular, Calil também aconselha as modalidades pré-pagas. “Tudo que for para o jovem, tem que ser pré-pago”, diz o educador. Os jovens normalmente não possuem maturidade suficiente para lidar com contas ilimitadas ou com cartões sem limites. Eles ainda estão aprendendo e amadurecendo e não entendem muito bem que o dinheiro é finito.
Além disso, é bom lembrar que a conta de celular deve ser de responsabilidade do filho. Os pais devem permitir que eles tenham acesso apenas às modalidades pré-pagas, deixando nas mãos do filho o pagamento das ligações. “Esses gastos têm que sair da mesada da criança. Assim elas vão começando a ver que dinheiro tem limite”, analisa Calil.
E-commerce infantil?
Falando do consumo pela internet, Calil não acha muito interessante tal modalidade. Para as crianças e os jovens, é muito importante viver a experiência do consumo da forma mais tradicional que existe, ou seja, ir às lojas, fazer pesquisa de preços, negociar com o vendedor e comparar produtos.
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O ambiente virtual perde muito para as lojas físicas nesse quesito. “A criança não tem maturidade ainda para o consumo via internet”, ressalta o educador. Ela encontra um produto, não pode avaliá-lo e nem sempre acompanha o processo de recebimento. Segundo o educador, a internet não contribui para a formação de um consumidor consciente. “Os caminhos tradicionais são mais interessantes”, pontua Calil.
Apesar das ressalvas do educador, já existem algumas ferramentas na internet com o objetivo de ajudar os pais a controlar os gastos dos filhos. O Peela, por exemplo, é um cartão virtual, voltado ao público jovem, no qual o pai pode recarregar o cartão quando achar necessário. O recurso, porém, só permite que o jovem compre em um número limitado de lojas, as quais têm parceria com o Peela.
Para Calil, se o jovem quiser comprar algo pela internet, ele pode contar com o cartão de débito ou imprimir o boleto ou mesmo pedir para o pai comprar com seu cartão de crédito. “Acho que não tem problema nenhum a criança pedir para o pai. A criança ou o jovem não tem que ser independente sem ter conquistado a independência dela”, avalia.
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É até interessante que ela peça para o pai ajudá-lo na compra, assim eles vão poder discutir sobre a real necessidade do item e ainda fazer a contabilidade dos custos. Ou seja, se ela quiser um item acima da sua mesada, o pai pode parcelar os pagamentos para ela. Assim, no mês seguinte, o jovem tem que lidar com uma mesada menor.
“Não tem problema gastar além da mesada”, diz Calil. O importante é o jovem sentir as consequências disso – perder uma parte da sua mesada no mês seguinte-. “Depois de passar por essa experiência pela primeira vez, o jovem avalia se quer fazer isso de novo”, finaliza o educador.