Febraban prevê crescimento de 8% no volume de crédito concedido em 2002

Crescimento deve ficar abaixo frente ao avanço de 21% em 2001; altas taxas e desaceleração econômica prejudicam

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SÃO PAULO – A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) divulgou, na última quarta-feira, um relatório que mostra as estatísticas do setor de crédito com base nos dados de cerca de 180 bancos do sistema financeiro nacional.

Crescimento deve ficar muito abaixo ao de 2002

Segundo o vice-presidente da Febraban, o volume de crédito concedido deve crescer apenas 8% em 2002. Muito abaixo, portanto, do crescimento de 21% registrado no ano passado, quando o volume total chegou a R$ 308,436 bilhões.

O fraco crescimento no volume de créditos concedidos se deve em parte ao recuo no volume de crédito do setor público, que registrou queda de 21%, e do crédito rural obrigatório, cuja carteira diminuir 3,49%. Em tendência contrária, a carteira do setor de serviços registrou crescimento de 30,93%, enquanto o volume de crédito destinado a pessoas físicas avançou 28%, totalizando R$ 77,346 bilhões.

Por sua vez, quando o assunto é captação de recursos, os bancos registraram um crescimento de 12% em relação ao registrado em 2001, quando o volume de recursos captados ficou em R$ 563 milhões. O maior volume de captação ainda é dos fundos de investimento, que respondem por 50,68% do total com R$ 285,3 bilhões captados.

Desaceleração do crédito retrata atual situação do país

A desaceleração no crescimento do volume de crédito apenas confirma a delicada situação por que passa a economia brasileira. No primeiro semestre deste ano, o PIB (Produto Interno Bruto) avançou apenas 0,14% em relação a igual período de 2002.

Diante das incertezas quanto à recuperação da economia norte-americana, muitos investidores ficam receosos e diminuem os investimentos, principalmente em países em desenvolvimento, comprometendo o crescimento da economia dos mesmos. Portanto, é difícil esperar forte avanço no volume de crédito já que, além da situação econômica pouco favorável, as taxas de juros cobradas no Brasil são bastante elevadas, o que também contribui para a desaceleração econômica.