Famílias consomem mais, mas ainda não é o suficiente

Segundo o IBGE, alta foi de 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado. Índice, porém, não consegue alavancar economia

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SÃO PAULO – As famílias brasileiras estão consumindo mais. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, divulgados na última semana, mostram que esse volume aumentou em 3,4% no terceiro trimestre do ano, tomando como base o mesmo período de 2005. O resultado, contudo, ainda é pouco para que a economia consiga crescer mais.

De acordo com Emílio Alfieri, economista do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), para o Produto Interno Bruto (PIB) expandir 5% no ano que vem, a ampliação do consumo deveria estar na casa dos 7% e 8%. “E está longe disso”, afirmou.

Variação ainda mais baixa

Apesar de estar em linha com os dados dos sistemas Usecheque e Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), da ACSP, que cresceram 4,35% no mesmo período e revelam as vendas médias na capital paulista, na comparação ao trimestre anterior, a variação do consumo das famílias, segundo o IBGE, foi baixa, de 0,5%.

O resultado também foi muito baixo se comparado ao de outros países emergentes. Em geral, o consumo das famílias – que pesa 60% no cálculo do PIB – é uma vez e meia ou duas a taxa total do indicador. Na China, por exemplo, esse tipo de consumo passou de 6% em 2005.

Importações

Em uma economia aberta, o aumento da demanda é resolvido com importações. Seria preciso estimular o investimento para a indústria crescer em linha com o desejo da população. “Parece coro de economista chato, mas, para isso acontecer, só com reformas estruturais, não adiantam medidas paliativas”, disse à ACSP o economista Guilherme Maia, da consultoria Tendências.

De qualquer forma, o consumo, mesmo baixo, foi estimulado pelo aumento do rendimento dos trabalhadores: 4,6% em comparação com o terceiro trimestre de 2005; e a grande expansão de crédito: de 28,1%.