Fairplace: em um mês, portal de crédito pela web movimentou quase R$ 80 mil

Pessoas que precisam de dinheiro e investidores interessados em emprestar se encontram no portal que é pioneiro no Brasil

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SÃO PAULO – Os bancos sempre tiveram papel fundamental em relação ao crédito – e continuam tendo. Mas isso não impede o surgimento de novidades neste mercado. Uma delas chegou ao Brasil em abril pelas mãos do empresário Eldes Mattiuzzo: as comunidades de empréstimo na internet.

Elas apareceram em 2006 nos Estados Unidos e logo se popularizaram nas grandes potências. Quando as primeiras reportagens sobre o assunto começaram a ser publicadas, o empresário brasileiro, que atuava no mercado financeiro, já pensava em ser o pioneiro nessas comunidades no País.

“Foi através da literatura que eu tive o primeiro contato com essa tecnologia que permite que os bancos deixem de ser necessários para fazer a intermediação [entre quem precisa e quem quer emprestar dinheiro]”, explicou Mattiuzzo. Em 2009, ele começou a colocar tudo no papel – de olho na questão jurídica – e, em abril deste ano, lançou o portal www.fairplace.com.br.

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Nele, pessoas que precisam de dinheiro emprestado entram para fazer o pedido, por meio de anúncios, enquanto investidores que têm uma grana sobrando entram para analisar a quem querem emprestar o dinheiro. “Eu não empresto dinheiro, eu faço a aproximação”, ponderou o sócio fundador e diretor-geral do Fairplace, que leva esse nome por ser um “lugar mais justo” para a tomada de empréstimo.

Em terras verde-amarelas
E por que trazer esse modelo para o Brasil? De acordo com o empresário, três aspectos fazem com que o País seja um ótimo território para esse tipo de negócio. “A principal característica é a demanda por crédito, que cresce acima de dois dígitos há cinco anos”, explicou.

A segunda característica é o alto spread bancário, diferença entre o que as instituições financeiras pagam para captar recursos e o que elas cobram para emprestá-los. Pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial, com dados de 2008, mostrou que o spread bancário do Brasil é o segundo maior do mundo, perdendo apenas para o Zimbábue.

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Outro aspecto que levou o empresário a querer trazer essas comunidades ao Brasil foi o social, “que é poder olhar o crédito como mecanismo de inclusão”, segundo as palavras usadas por ele. Isso acontece porque as taxas de juros praticadas nestas comunidades são menores do que as praticadas no mercado, o que dá acesso a um número maior de pessoas.

“Mas às pessoas boas de crédito. As pessoas ruins vão ser negadas, porque a gente é tão rigoroso quanto os bancos”.

Em um mês
O portal opera apenas para pessoas físicas, por enquanto. Em um mês, já contabilizou 850 usuários cadastrados, 306 investidores e 240 pedidos de empréstimo – sendo 23 liberados, em um valor de R$ 77,8 mil e uma taxa média de juros de 3% ao mês.

Dentre os principais motivos para pedir o dinheiro emprestado no portal, estão quitação de outras dívidas, abertura de um negócio próprio, troca de veículos, reforma da casa e custeio dos estudos, seja uma pós-graduação, seja um curso de inglês.

Quem pede empréstimo na comunidade não paga nada. Porém, se consegui-lo, é cobrada taxa de cadastro e de aproximação. Do investidor, por sua vez, são cobrados 2% do valor recebido.

Segurança
Com parceria com a Serasa Experian, o portal oferece alguns requisitos de segurança. Entre eles, está um modelo de checagem, em que se assegura que as pessoas que estão negociando no ambiente virtual são realmente reais.

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Além disso, entre aqueles que pedem o empréstimo, é dado um score, que mede o risco daquela pessoa. Se ela não pagar, o portal oferece ao investidor o serviço de cobrança. “Em termos de checagem, score e cobrança, usamos os mesmos mecanismos de um banco para os negócios”, explicou Mattiuzzo.

E, de acordo com ele, a experiência mundial mostra que, no ambiente virtual, a inadimplência é mais baixa do que no mercado, porque a pessoa faz parte de uma comunidade, com a qual ela se torna comprometida.

Leilão
O portal ainda aposta em outra ferramenta, que é o leilão virtual. Os investidores escolhem os candidatos para os quais querem emprestar dinheiro, sendo o valor mínimo de aplicação de R$ 50. Ao final, os lances de menores taxas são escolhidos e somados.

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Portanto, o mesmo empréstimo pode ser feito de diferentes investidores, o que reduz o risco e aumenta os retornos da operação.