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SÃO PAULO – Por mais que o ramo vida tenha superado o ramo automóvel em termos de participação de mercado desde o ano passado, e que já responda por quase 35% das receitas com a venda de seguros no acumulado até julho de 2004, o mercado brasileiro ainda está longe de ter alcançado o potencial de outros mercados mais desenvolvidos.
Na Europa e nos EUA, por exemplo, a distribuição do setor segurador é completamente inversa daquela existente no Brasil, já que o ramo vida responde por dois terços do mercado, enquanto os demais ramos de seguro respondem juntos por um terço. Por mais que o ramo vida deva ser beneficiado pela decisão do Governo de gradualmente reduzir a alíquota de IOF incidente nos seguros de vida e acidentes pessoais, os obstáculos ao crescimento não são poucos.
Renda é fator limitador
O maior deles, sem dúvida, é o nível de renda da população, e neste sentido, o lançamento de produtos populares certamente é bem-vindo. O crescimento da economia, certamente deve contribuir no sentido de melhorar a renda do brasileiro. Porém, o simples aumento da renda não se traduz em crescimento das vendas, se não houver desenvolvimento de uma cultura de poupança de longo prazo.
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A razão para isso é bastante simples. Tradicionalmente, em países onde o poder aquisitivo da população é limitado, qualquer aumento de renda disponível se traduz, em um primeiro momento, em um aumento do consumo. Somente depois de atendidas as necessidades de consumo reprimidas é que o aumento de poder aquisitivo da população será direcionado para o mercado financeiro, seja na forma de depósitos em poupança, ou aplicações financeiras.
Saúde e patrimônio são primeira preocupação
Em termos de seguros, o mais comum é que os ramos de proteção de patrimônio, como o de autos, e o de saúde recebam os primeiros recursos.
Esta dinâmica explicaria, por exemplo, o motivo de as receitas com a venda de seguro saúde (17,23%), auto (23,23%), e patrimonial (8,52%) ainda responderem por quase metade das receitas com a venda de seguros no País. Os dados se baseiam nas estatísticas da Fenaseg (Federação Nacional de Seguros Privados) para a venda de seguros nos sete primeiros meses do ano.
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Aqui é de fundamental importância ressaltar que dos R$ 8,731 bilhões em prêmios do ramo vida nos sete primeiros meses do ano, 61,7% são referentes às vendas de VGBLs (Vida Gerador de Benefício Livre) um produto que até pouco tempo era mais procurado com vistas à acumulação de poupança do que cobertura de risco.
Potencial existe, mas é preciso inovar
Mesmo contando com cerca de 34 milhões de famílias que precisam de cobertura contra danos na eventual perda do chefe de família, e cerca de 60 milhões de pessoas que carecem de algum tipo de cobertura securitária, o crescimento sustentado do ramo vida exige, além do aumento do poder aquisitivo da classe média, um esforço por parte do setor segurador no sentido de oferecer produtos cada vez mais adequados às necessidades do consumidor.
E essa é uma dificuldade, já que o público alvo para os seguros de vida no Brasil é bastante diverso. Neste contexto, ainda que os seguros populares devam ser a mola propulsora do crescimento das vendas nos próximos anos, também devem se destacar os produtos mais sofisticados, que apostem no melhor entendimento do risco dos segurados.
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Bastante comuns em outros mercados mais desenvolvidos, estes seguros oferecem uma vantagem competitiva às seguradoras, pois permitem a oferta de uma gama maior de coberturas de risco pelo mesmo preço, o que só é possível, pois consegue “precificar” melhor a apólice de seguro.
Estudo recente elaborado pela Swiss-Re sobre as perspectivas para o ramo vida em países emergentes aposta que o volume de prêmios deve dobrar na próxima década, com um aumento de US$ 262 bilhões em prêmios. Com a sétima colocação entre os emergentes no que refere ao ramo vida, o Brasil precisa apostar na inovação e personalização se quiser participar deste crescimento.