Expansão do crédito em 2008 será com qualidade: inadimplência não subirá

Perspectiva é do Iedi. Na média, o nível do não-pagamento de contas com prazo acima de 90 dias era de 4,5% em novembro

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SÃO PAULO – A estimativa de avanço na liberação de crédito para o ano que vem – que deve atingir o montante de R$ 1 trilhão – sinaliza ainda um fator estimulante à economia: a qualidade desses empréstimos e financiamentos. Conforme análise do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), a expectativa é que a inadimplência não apresente avanços significativos no início de 2008.

Na média, o nível do não-pagamento de contas com prazo acima de 90 dias era de 4,5% em novembro. De acordo com o Banco Central, entre pessoas jurídicas, essa proporção é de 2,2%, e, entre as físicas, fica em 7,1%. Em outubro, o comportamento era de, respectivamente, 4,5%, 2,3% e 7%.

Comportamento

A inadimplência corresponde à metade dos spreads*, que, por sua vez, é de 24,4%, conforme análise da agência classificadora de risco Austin Rating. A empresa também citou que a evolução do crédito e o comportamento dos mutuários com o pagamento das contas não caminham na mesma tendência: enquanto a liberação de dinheiro aumenta, a inadimplência ou cai ou não avança na mesma proporção.

Na tabela abaixo, é possível verificar o comportamento de ambos, desde 2000. Os dados referentes a 2007 são projeções da Austin, uma vez que o BC possui dados fechados apenas até o penúltimo mês deste ano:

Comportamento
Ano Volume de crédito Inadimplência
2000 R$ 294 bilhões 5,4%
2001 R$ 311 bilhões 4,3%
2002 R$ 355,6 bilhões 4,6%
2003 R$ 386,8 bilhões 4,5%
2004 R$ 498,7 bilhões 3,9%
2005 R$ 607 bilhões 3,81%
2006 R$ 732,8 bilhões 4,8%
2007 R$ 917,5 bilhões 4,7%

Fonte: BC/Austin Rating

Aos consumidores

De acordo com a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos), dos R$ 908 bilhões liberados em novembro pelo sistema financeiro, 34,4% foram destinados a pessoas físicas. E, dentre as modalidades de crédito acompanhadas pelo BC, a maior inadimplência em novembro na concessão de empréstimos e financiamentos a consumidores ficou com a linha de aquisição de outros bens, atingindo 22% do crédito concedido.

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Na tabela abaixo, é possível avaliar a composição da taxa nas diversas modalidades, por prazo (entre 15 e 90 dias e mais de 90 dias), para novembro de 2007 e o mesmo mês do ano anterior:





































2006 2007
Operação Até 90 dias Mais de 90 dias Total Até 90 dias Mais de 90 dias Total
Cheque especial 2,7% 9,4% 12,1% 3,1% 9,1% 12,2%
Crédito pessoal 5,1% 6,2% 11,3% 4,5% 5,3% 9,8%
Aquisição de Veículos 7,2% 3,3% 10,5% 6,7% 3,1% 9,8%
Aquisição de bens (outros) 9% 12,2% 21,2% 9,7% 12,3% 22%

Fonte: Banco Central

* diferença entre o custo de captação de recursos e o custo da taxa de empréstimos. Os spreads norteiam as taxas de juros empregadas ao consumidor