Estudo do IBGE indica que pardos e negros ganham menos que brancos

Além de receber menor remuneração, população negra e parda têm mais dificuldade para encontrar emprego no país

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SÃO PAULO – Os pardos e os negros têm mais dificuldade em encontrar emprego no país, apresentam menor média de estudo que os brancos, são trabalhadores por conta própria ou empregados sem carteira majoritariamente no comércio e ganham quase metade do que os brancos.

Os dados alarmantes são de um estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgado nesta sexta-feira (04/06) e feito a partir de informações coletadas na Pesquisa Mensal de Emprego (PME) de março de 2004.

Para quem não conhece a pesquisa vale destacar que a PME investiga, desde 1980, a força de trabalho nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. Porém, foi só a partir de dezembro de 2002, que as alternativas de cor ou raça (Branca, Preta, Amarela, Parda e Indígena, as mesmas utilizadas pelo IBGE em todas as suas pesquisas domiciliares) foram introduzidas no questionário da pesquisa, para serem apresentadas ao entrevistado, que se auto-classifica.

Negros e pardos sofrem mais com desemprego

Segundo a PME, em março de 2004, das 18,5 milhões de pessoas ocupadas nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, 58,0% eram brancas e 40,8% pretas ou pardas. No entanto, na população desocupada deu-se o contrário: 49,2% das pessoas eram brancas e 50,4% eram pretas ou pardas.

Já em relação à ocupação e desemprego, a pesquisa revela que entre os brancos, 51,2% eram ocupados e 6,4% desocupados, enquanto entre os pretos ou pardos a proporção de ocupados era menor (47,9%) e a de desocupados maior (8,7%) que a dos brancos.

Escolaridade é maior entre brancos

Da mesma forma, o número médio de anos de estudo completos para a população branca ocupada é maior que para a população negra ou parda. Entre os brancos ocupados essa média chegou a 9,8, enquanto entre os pretos ou pardos foi 7,7.

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A população branca mostrou, também entre os desocupados maior média de anos de estudo (9,5) completos do que a população preta ou parda (8,0). Vale ressaltar ainda que o mesmo foi verificado em todas as seis regiões metropolitanas, sendo Salvador a capital que registrou maior diferença (3,5 anos) de escolaridade entre brancos e pretos.

Pretos e pardos são o dobro dos brancos no trabalho doméstico

Enquanto 41% da população branca se encontrava, em março, empregada com carteira de trabalho assinada no setor privado, contra 37,5% registrado pela população negra ou parda. A última apresentou maior concentração de contratações no trabalho por conta própria e nos empregos sem carteira no setor privado, tanto na média geral como em cada uma das seis regiões metropolitanas investigadas pela PME, exceto Belo Horizonte.

Outro ponto a destacar no estudo foi a constatação de que a participação dos pretos ou pardos entre os trabalhadores domésticos era mais que o dobro da dos brancos, em todas as seis capitais pesquisadas. Em Porto Alegre, por exemplo, 14,7% dos pretos ou pardos ocupados eram trabalhadores domésticos, proporção maior do que a dos empregados sem carteira de trabalho da mesma cor ou raça (11,6%) no setor privado.

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Comércio é principal setor de ocupação

Já levando em conta os diversos setores de atividade econômica, a pesquisa indicou que o comércio concentrava a maior parte dos ocupados tanto da população branca quanto a de pretos ou pardos. Em seguida, pretos e pardos lideram participação na construção civil e nos serviços domésticos, enquanto os brancos apresentaram percentuais maiores na indústria e nos setores de saúde, educação e administração pública.

Rendimento da mulher negra é o menor

No quesito rendimento, entretanto, é que se evidenciam as diferenças da situação de emprego dos brancos e dos pretos ou pardos na sociedade brasileira. De acordo com o IBGE, pretos ou pardos recebiam, em março, por hora trabalhada (R$ 3,18/hora), quase metade da remuneração recebida pelos brancos (R$ 6,52/hora).

Algumas comparações de gênero ainda expuseram a frágil condição da trabalhadora negra no país. Se por um lado os homens brancos recebiam (R$ 7,16/hora), os pardos (R$ 3,45/hora) e as mulheres brancas (R$ 5,69/hora); as mulheres pardas ou pretas apresentaram os menores rendimento/hora (R$ 2,78/hora).