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SÃO PAULO – Para os bancos existem dois segmentos no mercado de crédito: pessoas jurídicas (empresas) e pessoas físicas (indivíduos). Os financiamentos mais comuns para as pessoas físicas ocorrem via cheque especial, CDC (crédito direto ao consumidor) ou empréstimo pessoal.
O consumidor brasileiro tem hoje acesso a várias modalidades de financiamento, de forma que muitas vezes fica difícil escolher a melhor alternativa para as suas necessidades.
Financiando a compra de bens
Para quem está pensando em comprar um bem específico, como carro, imóvel ou eletrônico, a melhor opção é optar por financiamentos que usem estes bens como garantia, pois assim é possível se beneficiar de uma redução dos juros, uma vez que o risco de inadimplência é menor.
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Dentre estas modalidades de financiamento de bens, a de veículos é sem dúvida a mais difundida no mercado, com um volume total de concessões de R$ 26,9 bilhões no final de 2002. A inadimplência nestes financiamentos é de cerca de 10,50%, a mais baixa entre as modalidades de financiamento acompanhadas pelo Banco Central.
Os CDCs (Crédito Direto ao Consumidor) são opções em geral mais baratas que os crediários oferecidos nas grandes lojas de varejo. Em geral, esta modalidade de financiamento é oferecida pelos bancos para a compra de eletrônicos, e os juros estavam em dezembro em cerca de 5% ao mês. Abaixo, portanto, dos juros cobrados nos crediários, que eram de cerca 6,6% ao mês. Esta é a modalidade de financiamentos cuja inadimplência é maior, de 19,10%.
Para se ter uma idéia da baixa penetração dos CDCs, dados do Banco central apontam para um volume de concessões de R$ 4,6 bilhões, ou cerca de 6% do total de concessões a pessoas físicas.
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Empréstimo pessoal é para poucos
Mas se você não pretende usar os recursos do financiamento na compra de um bem, e só precisa do dinheiro para pagar algumas contas, ou incorrer em outro gasto qualquer, então opte pelos empréstimos pessoais.
Também conhecido como crédito pessoal, este tipo de empréstimo funciona como um crédito pré-aprovado, disponibilizado em até dois dias, mas em alguns casos o dinheiro chega a ser disponibilizado na mesma hora. Na maioria dos casos trata-se de um empréstimo com taxa pré-fixada, isto é, você sabe com antecedência quanto vai pagar de juros por mês.
As taxas são mais atraentes do que as praticadas por cartões de crédito e cheque especial, ao redor de 5,6% ao mês, mas as quantias disponibilizadas tendem a ser menores. Em termos de inadimplência, ela estava em cerca de 14,20% no final de 2002.
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Com R$ 24,6 bilhões concedidos, esta é a segunda maior modalidade de financiamento para pessoa física do mercado. Mas neste montante também estão incluídos os empréstimos através de financeiras, cujas taxas são bem menos atrativas e giram ao redor de 13% ao mês. Assim sendo, os empréstimos pessoais para bancos só estão acessíveis às pessoas de bom histórico de crédito, visto que a concessão deste tipo de financiamento está cada vez mais difícil entre os bancos, que buscam evitar ao máximo o risco de inadimplência.
Financeiras, cartão e cheque só em casos especiais
Para quem não tem um bom histórico de crédito restam poucas opções de financiamento, e os empréstimos pessoais junto às financeiras são uma delas. O grande problema é que, dependendo da sua situação, pode ser mais recomendável, pasmem, optar pelo cartão ou cheque.
Isto porque os juros cobrados pelas financeiras estão em quase 13%, acima da taxa média cobrada no cheque especial e no cartão de crédito. É bem verdade que até mesmo as financeiras oferecem taxas distintas e às vezes mais atrativas, mas em geral isto só acontece com os clientes mais fiéis e que já demonstraram ser bons pagadores em empréstimos anteriores.
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Já o cheque especial é um limite de crédito no qual o cliente tem o direito de sacar recursos para o que bem entender, isto é, não há restrições em termos de que bem ou serviço estes recursos serão gastos. Com R$ 8,5 bilhões em créditos os cheques especiais são hoje uma opção prática de financiamento, mas muito cara, visto que os juros estão em mais de 10% ao mês. Da mesma forma, os cartões de crédito já contam com R$ 4,8 bilhões em concessões, e, apesar da praticidade, cobram juros ainda mais altos de 10,6% ao mês.
A troca entre risco e retorno
Não há dúvida de que, ao colocar o seu capital em risco, o banco merece ser compensado por isto na forma de taxas mais altas, isto é, receber um spread maior. No entanto, ele não deve ser alto a ponto de inviabilizar um financiamento. As atuais taxas praticadas pelos bancos são claramente punitivas para o consumidor, porém, por outro lado, uma drástica redução no spread só é possível através de um melhor controle de risco na concessão do financiamento.
Dentre as medidas que podem ser adotadas estão a melhoria do sistema de cadastros e do sistema de gerenciamento de crédito, de forma que o banco, em posse de informações individuais de seu público, possa calcular taxas individualizadas nos empréstimos, contemplando os bons pagadores com juros menores.
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Solução para o consumidor
Como, em geral, não existem tais sistemas, todos nós acabamos pagando a mesma taxa de juros. Uma alternativa para quem deseja fazer um financiamento seria procurar financeiras que fazem uma discriminação de taxas, levando em consideração as informações dos clientes. As financeiras oferecem taxas que variam entre 10% a 18% ao mês, dependendo do perfil de risco de quem quiser levantar o empréstimo.
Outra solução seria negociar com o banco ou financeira, mostrando que você não é inadimplente (pois este é o grande risco para os bancos), que está apto a pagar a dívida, e, portanto, tem direito a uma taxa menor. Por outro lado, se o histórico de crédito não é muito bom, a melhor opção é escolher financeiras que trabalham com taxas fixas para todas as pessoas.