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SÃO PAULO – A SulAmérica (SULA11) surfa na crista da onda de condições macroeconômicas excepcionais para o negócio de seguros no Brasil. Se o crescimento de três dígitos no lucro líquido de 2007 chama atenção, impressionante também é o patamar em que se encontra os papéis da maior segurador independente do País na Bovespa.
“Evidentemente que a nossa ação está precificada errada”, enfatizou Arthur Farme, vice-presidente Corporativo e de Relações com Investidores da Sul América S.A., em entrevista à InfoMoney. Para ele, a ação tem um potencial de quase 80% na bolsa. O executivo também falou sobre o processo de consolidação da indústria.
O lucro da SulAmérica cresceu 109% frente a 2006, atingindo R$ 321 milhões. A receita de prêmios somou R$ 7 bilhões em 2007, o que representa um crescimento de 5,9% frente ao configurado no ano anterior. O índice de sinistralidade encerrou o ano passado em 68,4%, uma melhora de 3,1 pontos percentuais. Confira a entrevista:
InfoMoney – A SulAmérica conseguiu forte expansão dos resultados operacionais em 2007, com crescimento de três dígitos no lucro líquido. O que o sr. destacaria do balanço trimestral?
Arthur Farme – Eu destacaria primeiro a melhoria da sinistralidade. Na atividade de seguros, a sinistralidade (que é a relação de quanto da receita é comprometida com o pagamento dos danos sofridos por um bem colocado no seguro) é o principal indicador para avaliar a despesa operacional.
Quando a sinistralidade é menor, significa que nós estamos conseguindo uma parcela maior dos prêmios, contribuindo para a margem operacional. A nossa sinistralidade caiu sobretudo em automóveis e em saúde, que são nossas principais carteiras – representando 80% da nossa receita.
IM – Em relação aos segmentos de saúde e automóveis, qual seria o mais promissor?
Farme – A companhia entende que os dois são segmentos muito promissores no Brasil. Devido à queda da taxa básica de juro, que contribuiu para esse ambiente de melhora na distribuição de renda e da renda média do brasileiro.
Os dois são representativos no segmento de varejo na atividade de seguros e possuem um amplo potencial de crescimento.
“A nossa sinistralidade caiu sobretudo em automóveis e em saúde”
| “A nossa sinistralidade caiu sobretudo em automóveis e em saúde” |
Em saúde, por exemplo, nós concentramos a venda de produtos coletivos de saúde. Nós não vendemos apólices de saúde individual desde 2004. Só vendemos seguros grupais. Dentro deste segmento, existe uma área voltada às chamadas pequenas e médias empresas, que teve um crescimento de quase 50% no ano.
O que mostra uma grande aceitação dos produtos da SulAmérica por este grupo de empresas que representa hoje talvez o maior empregador do Brasil. A empresa está bem posicionada nessa categoria, tanto que nossa receita tem crescido quase 60% neste setor. É a área mais promissora dentro da indústria de saúde.
IM – E as perspectivas para o segmento de automóveis?
Farme – Em automóveis, existe uma demanda potencial muito grande proveniente da venda de veículos novos. A penetração de seguros na venda de veículos novos é de quase 100%. As financeiras, muitas vezes, exigem que você tenha este seguro como parte do processo de concessão de crédito.
Acho que esta é uma oportunidade importante de crescimento para a indústria: associação do seguro ao financiamento do bem. É um canal importante de distribuição para a SulAmérica. O fato de a SulAmérica não ser controlada por um banco de varejo faz com que não tenhamos qualquer tipo de conflito de interesses com esses potenciais parceiros.
| “Acredito que devemos aprimorar ainda mais nossos resultados operacionais em 2008” |
Essa é uma atividade que temos muita expertise porque já há mais de 15 anos estamos desenvolvendo esse tipo de parcerias de distribuição por canais alternativos. Vale destacar que nossa principal base de distribuição é o corretor independente de seguros e é uma das maiores do Brasil.
IM – Analistas destacam o posicionamento da SulAmérica no processo de consolidação da indústria de seguros. Qual a sua avaliação sobre isso?
Farme – Concordo plenamente, principalmente em razão da atual maior exigência de capital. Esse é um mercado que está bastante concentrado. Os cinco maiores grupos de seguradores detêm quase 60% da receita do setor. No mundo inteiro é assim. É uma indústria de capital intensivo.
O que ocorre é que os ambientes regulatórios de seguros estão ficando cada vez mais exigentes do ponto de vista de capital. Em dezembro, a Susep (Superintendência de Seguros Privados) aprovou novas normas que alteram critérios de determinação da solvência requerida para uma seguradora operar.
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O que vai exigir dos acionistas das empresas que estão atuando no mercado um maior comprometimento de capital investido. E aí que entra a SulAmérica como candidato natural para consolidação. Dado que nem todas as seguradoras vão ter capacidade de satisfazer a essas novas exigências, em razão da falta de um colchão de liquidez adicional.
Esse processo pode se dar de duas formas: por aquisição, ou por crescimento orgânico, no qual nós vamos conquistando fatias de mercado. Entendemos que as duas direções são possíveis. Temos uma capacidade muito grande de crescimento orgânico. E ao mesmo tempo estamos atento a oportunidades de aquisição.
IM – Quais são os principais objetivos da SulAmérica para 2008?
Farme – Nosso lucro mais do que dobrou em 2007. Devemos ter um crescimento expressivo no lucro neste ano, mas não acredito que iremos dobrar novamente. Acredito que devemos aprimorar ainda mais nossos resultados operacionais e apresentar um crescimento de receita superior ao apresentado no ano passado.
Pretendemos continuar expandindo em mercados com potencial de desenvolvimento. Por exemplo, São Paulo é um mercado muito importante para a companhia e para a indústria como um todo, e nós ainda temos um espaço para conquistar.
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IM – Na bolsa, analistas recomendam focar em small caps com exposição ao consumo interno brasileiro, em detrimento às produtoras de commodities, diante de uma iminente recessão nos EUA. O sr. concorda com a tese?
| “Os ambientes regulatórios de seguros estão ficando cada vez mais exigentes do ponto de vista de capital” |
Farme – Concordo. O crescimento do País em 2007 esteve sobretudo associado à demanda interna, onde a indústria de seguros vem se beneficiando. O grosso da receita do setor vem do mercado interno: o automóvel, o condomínio, a casa, o seguro de vida. Movimentos que, de uma certa forma, independem do cenário internacional adverso.
IM – Integrante das novatas na Bovespa, a ação da SulAmérica foi impactada pela crise no setor financeiro dos EUA. Qual sua opinião sobre o desempenho acionário?
Farme – Por conta disso (resposta anterior), evidentemente que a nossa ação está precificada errada. Enfrentamos um momento bastante atípico do mercado, mas, apesar disso, dentre os nossos pares, estamos performando bem.
O investidor estrangeiro já entendeu isso e está adequadamente posicionado, enquanto o investidor brasileiro ainda não diferenciou a SulAmérica de outras empresas que estão no mercado. Mas isso é uma questão de tempo. Estamos entregando exatamente o que prometemos no IPO.
Contratamos a Ágora como market maker, em razão da presença dela no segmento de varejo, e pretendemos alavancar a presença da SulAmérica para a comunidade de investidores fora do eixo Rio-São Paulo. Creio que num futuro o preço da companhia irá convergir para aquilo que os analistas estão apontando: uma cotação de R$ 45 ou mais.