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Entrevista: Localiza se diz privilegiada para ser consolidadora do mercado

Segundo executivo da empresa, a grande escala da Localiza é uma barreira natural de entrada e de crescimento das outras redes

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SÃO PAULO – A Localiza, maior locadora de veículos do país, afirma que a grande escala da empresa barra o crescimento das concorrentes, o que a coloca uma situação privilegiada dentro do mercado doméstico, em condições de liderar uma consolidação do setor.

O diretor de finanças e relações com investidores da Localiza, Roberto Mendes, falou à InfoMoney sobre as prioridades da empresa, processo de consolidação, entre outros assuntos. Confira os principais pontos da entrevista:

InfoMoney – Quais as possibilidades de consolidação no setor? Hoje a Localiza estaria na ponta compradora no Brasil? E no exterior, como a empresa encara a concorrência?

Roberto Mendes – O mercado de aluguel de carros está se consolidando no Brasil como já ocorreu nos Estados Unidos, onde cinco players têm 92% do mercado de aluguel de carros e na Europa, onde seis empresas detêm 74% do mercado.

No Brasil, as quatro maiores redes detêm cerca de 36% do mercado. As pequenas empresas atuam em nichos de mercado, desta forma, a Localiza possui vantagens competitivas que a coloca em situação privilegiada para ser a consolidadora deste mercado, que ainda é muito fragmentado.

“A Localiza possui vantagens competitivas que a coloca em situação privilegiada para ser a consolidadora deste mercado”

Diferente de outras indústrias, na de aluguel de automóveis não é necessário adquirir concorrentes para consolidar, já que o principal ativo que necessitamos é o carro, que é fácil de comprar e de deslocar. Nossa escala nos tornou uma barreira natural de entrada e de crescimento das outras redes. Temos cerca de 20% de participação de mercado e somos maiores que o segundo, terceiro e quarto concorrentes somados.

IM – As vendas de seminovos devem seguir como um dos pontos de maior crescimento da empresa nos próximos trimestres?

Mendes – O segmento seminovos só vende carros desmobilizados do aluguel de carros e de frotas. Em 2006, por exemplo, o aluguel de carros cresceu 36,7% e, em 2005, 41,3%. Os alugados neste ano só foram vendidos em 2006, após quatorze meses de uso.

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No ano passado, o aluguel de frotas cresceu 25% e 19,4% em 2005 (considerando dados da Total Fleet, a empresa de gerenciamento de frotas da Localiza). Neste caso, os carros foram vendidos após 24 meses de uso, já que os contratos de aluguel de frota são sempre feitos com mais de 12 meses, geralmente 24 a 36 meses, e os carros só são vendidos no final do contrato. O crescimento médio em carros alugados foi de 30,8% em 2006 e 29,5% em 2005. Em 2006, a quantidade de carros vendidos pelo segmento seminovos cresceu 23,5%.

Ou seja, as vendas de seminovos dependem totalmente do crescimento da Localiza e da Total Fleet. Desta forma, do aluguel de carros em 2006, foram vendidos os carros comprados em 2005 e, do aluguel de frotas, foram vendidos os carros comprados em 2004 e alguns de 2005.

Assim, não é possível o segmento seminovos crescer mais que o de aluguel. Como o carro é um ativo que mesmo usado mantém alto valor residual, as receitas de vendas de carros representam cerca de 50% das receitas totais.

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Os carros mudam de mão quatro vezes antes de serem sucateados, o que não é comum em outras indústrias. A Localiza é talvez a única indústria que possa ajustar seus ativos operacionais à demanda (de aluguel em nosso caso).

IM – A maior disponibilidade de financiamento de longo prazo para automóveis, por parte dos bancos, elevou a liquidez no mercado de carros seminovos? Qual a perspectiva da empresa para este segmento?

Mendes – O financiamento de carros é um dos melhores negócios para as financeiras, devido à segurança jurídica da garantia. Por isso, este tipo de financiamento é muito disputado e possui menores taxas se comparado com o financiamento de outros bens duráveis e, principalmente, quando colocado ao lado do financiamento de bens de consumo.

“A empresa monetizou um ativo intangível de grande valor e manteve a política de não correr risco de créditos”

A garantia do carro dá conforto aos bancos e, também por isto, os prazos têm aumentado, o que facilita a venda de carros usados. Além disso, os automóveis são bens desejados pela população economicamente ativa e, quanto menor a taxa e maior o prazo, mais pessoas poderão comprar carros desmobilizados pela Localiza e pela Total Fleet. Hoje no Brasil existem 8 habitantes para cada carro. Nos Estados Unidos, por exemplo, este índice é de apenas 1,2.

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IM – Quanto representa a comissão paga pelos bancos nos financiamentos da venda da frota da Localiza nos resultados?

Mendes – Um percentual da receita de venda de carros vem da comissão pela geração de negócios para os bancos. Recentemente, assinamos um acordo com o Banco do Brasil que nos pagou R$ 22 milhões e que nos pagará um percentual adicional para os financiamentos que vamos indicar para eles.

Assim, a Localiza monetizou um ativo intangível de grande valor e manteve a política de não correr risco de créditos.

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IM – A empresa considera a entrada no mercado de aluguéis para veículos de carga, a exemplo do que ocorre em outros países?

Mendes – Não. Nosso negócio é aluguel de carros e comerciais leves. Não pretendemos entrar no mercado de aluguel de caminhões.

“Nossa estratégia é de operar diretamente somente no Brasil e, através do franchising, nos demais países da América do Sul”

IM – Dentro da estratégia de expansão da Localiza, qual o papel dos mercados fora do Brasil e qual porcentagem do faturamento total projetado para este segmento?

Mendes – Nossa estratégia é de operar diretamente somente no Brasil e, através do franchising, nos demais países da América do Sul, onde há afinidade cultural.

Os nossos franqueados internacionais nos pagam royalties pelo uso da nossa marca e pela transferência do know how, treinamento, reservas etc. Já servimos nove países que estão aumentando os negócios entre eles e, conseqüentemente, as viagens de negócios e também de turismo.

IM – A empresa vê nas PPPs de estradas federais uma possibilidade de reduzir os custos operacionais da empresa?

Mendes – Sim. Basta andar pelas estradas de São Paulo e comparar com as de Minas Gerais. Além de muito melhores e seguras, são melhores sinalizadas e os clientes se sentem mais seguros em viajar. Na Europa e nos Estados Unidos dirigir nas estradas é simples e seguro, o que dá total liberdade aos viajantes.

IM – Em alguns países a taxa de retorno de um veículo é muito menor do que no Brasil. Por que aqui existe esta diferença?

Mendes – Quando o cliente aluga carro em uma cidade e devolve em outra cobramos a taxa de retorno para cobrir o custo de levar o carro para a cidade de origem. Não achamos que este custo seja elevado.