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‘Entender gerações é desafio para mercado’, diz presidente do Grupo Bradesco Seguros

Com participação do setor considerada baixa no PIB do país (só 6%), Ivan Gontijo se diz ‘otimista com 2026’ e vê espaço para alta de 8% no ano que vem

Jamille Niero

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Entender profundamente o comportamento das novas gerações é ‘um dos maiores desafios’ do mercado de seguros brasileiro atualmente, segundo o presidente do Grupo Bradesco Seguros, Ivan Gontijo.

Entre as gerações que se destacam no momento estão os ‘millennials’ (quem nasceu entre o começo da década de 1980 até meados da década de 1990), que devem ditar o ritmo de consumo de seguros nos próximos anos. “É um desafio que todo mercado tem, conhecer as diversas gerações e as suas necessidades”, disse em encontro com jornalistas nesta quarta-feira (03) na nova sede do grupo em São Paulo.

Segundo ele, esse esforço vale tanto para a relação com os clientes quanto para a gestão do próprio quadro interno: “Eles têm anseios, objetivos e uma forma de enxergar a vida diferente das outras gerações”.

Em relação ao ambiente setorial, o executivo mantém uma visão otimista para o próximo ano. Ele pontou que para o grupo “faz muito sentido” a estimativa da CNseg (Confederação Nacional das Seguradoras), que projeta crescimento de 8% para o mercado em 2026, patamar considerado “relevante” sobre a base atual.

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Segundo Gontijo, fatores macroeconômicos ajudam a sustentar a perspectiva: aumento da empregabilidade, estabilidade econômica e maior percepção de necessidade de proteção.

O executivo salientou que seguros, previdência e capitalização mostraram robustez durante a pandemia e seguem sustentados por fundamentos sólidos. “Isso nos dá confiança para afirmar que somos otimistas para 2026”, pontuou.

Mesmo com o avanço do setor, o Brasil segue com baixa penetração de seguros — cerca de 6% do PIB, enquanto países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) operam entre 10% e 12%. Para o presidente do Grupo Bradesco Seguros, isso revela um enorme espaço de expansão nos próximos anos, tanto em vida e previdência quanto em P&C (sigla para Property & Casualy, ramo que engloba seguros patrimoniais, como auto, residencial e empresarial, por exemplo, além de responsabilidade civil).

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Novas demandas e consumidores

Além de atrair novos consumidores, Gontijo ressaltou que “tão importante quanto trazer o novo cliente é reter quem já está na casa”, citando os 25 milhões de clientes do Grupo. Para alcançar essa meta, a estratégia passa por conhecer melhor hábitos e necessidades para oferecer soluções adequadas em diferentes momentos da vida, considerando a longevidade crescente da população brasileira — da odontologia à saúde, passando por vida e previdência.

A digitalização é outro pilar relevante para a companhia. O grupo continua apostando no uso de inteligência artificial, big data e análises preditivas de risco, cada área com aplicações específicas em benefícios, saúde, previdência e BI. Nos últimos três anos o grupo investiu cerca de R$ 1 bilhão por ano em tecnologia, desenvolvimento e ativação.

A inteligência artificial, segundo Gontijo, deve ajudar o setor a eliminar gargalos, agilizar processos e tornar o atendimento mais eficiente para clientes e colaboradores, avalia o executivo.

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Ele afirma que a IA também funciona como “provocação de negócio”, abrindo novas oportunidades, e destaca que as empresas já identificam riscos associados ao uso da tecnologia, o que cria espaço para o desenvolvimento de seguros específicos para riscos de IA, um tema que, segundo ele, o “mercado precisa começar a refletir”.

O executivo destacou ainda a discussão sobre a relevância crescente dos seguros na agenda climática, especialmente após a COP30, onde a “Casa do Seguro” instalada em Belém no período promoveu debates sobre impactos das mudanças climáticas em saúde, riscos e operações.

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Ele citou que o tema ficou ainda mais evidente por causa da volatilidade climática do dia a dia: “Experimentamos num único dia várias estações… Isso mostra a influência na nossa vida e na nossa saúde”.

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Regionalmente, a estratégia da companhia inclui reforçar presença nas regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, que vêm ganhando relevância no consumo de proteção financeira. Para impulsionar essa expansão, a empresa promete lançar novos produtos, como seguro para pet e para celular.

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Gontijo ainda comentou que não há previsão de abertura de capital da companhia e que cada empresa que compõe o grupo está se adequando, conforme as especificidades do segmento, às exigências do novo Marco Legal do Seguro, que entra em vigor no próximo dia 11 de dezembro.

Jamille Niero

Jornalista especializada no mercado de seguros, previdência complementar, capitalização e saúde suplementar, com passagem por mídia segmentada e comunicação corporativa