Endividamento cresce mais rápido do que renda e educação financeira

Cenário pode se sustentar no curto prazo, mas não durante muito tempo, gerando "bolha do crédito", diz Serasa

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SÃO PAULO – O endividamento da população cresce em um ritmo mais rápido do que a renda, o que não é sustentável no longo prazo e pode provocar uma “bolha de crédito”. A opinião é do gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, Luiz Rabi.

“O crédito à pessoa física está crescendo em uma velocidade de 20% ao ano e a renda avança apenas metade disso. A renda nominal aumenta em torno de 10%. Há um descompasso entre o crescimento do endividamento da população e o da capacidade de endividamento. Você consegue sustentar isso em um curto espaço de tempo, e não durante muito tempo”, disse.

Desta forma, a inadimplência começa a aparecer e surge uma “bolha de crédito”. Porém, de acordo com Rabi, as medidas para corrigir esse fenômeno já estão sendo tomadas. “O Banco Central, desde o final de abril, já vem subindo os juros – vendo que o crédito muito forte pode gerar pressões inflacionárias”, comentou o gerente da Serasa.

E o brasileiro?
Enquanto o governo toma medidas para controlar o endividamento – elevando a Selic, por exemplo – a defasagem na educação financeira no Brasil ameaça esse cenário, podendo colocar a população em uma situação de inadimplência.

“O mercado de crédito para a pessoa física praticamente dobrou de tamanho de 2005 para cá. O processo de aprendizado não está se dando na mesma velocidade, por isso acabamos observando excessos. Mas o processo de aprendizado é natural”, afirmou Rabi.

Ele afirmou que “felizmente o Brasil tem um Banco Central que tem atuado de forma eficaz”, o que acaba ajudando a população a entender que não pode se endividar a qualquer momento. “Tem horas que é possível, mas tem horas em que o risco é maior”, destacou.