Empréstimos: uso racional do crédito evita descontrole do orçamento

Para especialista, as dívidas não podem comprometer mais do que 10% da renda, e aponta o crédito consignado como o grande vilão

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São Paulo – Entrar em dívidas parece muito fácil, mas contrair um empréstimo e prejudicar ainda mais as contas pode ser mais fácil ainda. É por isso que é preciso cautela e responsabilidade na hora de contrair um empréstimo, seja consignado (com desconto na folha de pagamento), seja direto ao consumidor.

“Começamos a observar isso com o crescimento exacerbado dos volumes de inadimplência”, explicou Marcos Silvestre, coordenador executivo do Centro de Estudos de Finanças Pessoais.

“Isso acontece porque temos uma infeliz combinação de facilidade na tomada do crédito pessoal com a falta de educação financeira para saber como fazer bom uso do crédito pessoal”, explica.

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Inadimplência aumenta

Para se ter uma idéia do quanto a inadimplência vem fazendo vítimas, o Indicador Serasa de Inadimplência Pessoa Física mostrou que, no ano passado, a inadimplência dos consumidores pessoa física aumentou 13,5%, se comparada ao mesmo período do ano anterior.

Para Silveira, o crédito consignado só deve ser usado para resolver os problemas financeiros pessoais ou da família, ou para aumentar a segurança.

Ele diz que “o crédito consignado acaba sendo o vilão da inadimplência” porque ele é descontado logo na folha de pagamento, enquanto o restante do dinheiro precisa cobrir as despesas diárias, além de precisar ser suficiente para custear dívidas adicionais.

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Pagamento à vista

Silvestre explicou que o crédito consignado vale a pena quando é trocado por uma dívida mais onerosa, como o cheque especial, que chega a cobrar juros de até 10% ao mês.

Mesmo assim, ele recomenda a fuga das dívidas e dos empréstimos. “Sempre valerá muito mais a pena juntar o dinheiro antes, investir um pouquinho todo mês, e depois comprar os bens à vista, com desconto”.

As dívidas, garante o especialista, não poupa pessoas de baixa renda ou de classe média, mas aponta os aposentados como maiores atingidos, já que dificilmente essas pessoas conseguem exercer uma atividade paralela para complementar a renda e pagar as prestações do consignado.