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SÃO PAULO – Por mais que tenha se esforçado, não houve como evitar: você vai ter que recorrer a um empréstimo. Porém, não é preciso entrar em pânico, já que emprestar dinheiro não é sinônimo de inadimplência, desde que você se planeje e tenha uma idéia clara do quanto poderá levantar, sem com isso comprometer seu orçamento.
Comece analisando com cuidado o quanto pretende tomar emprestado. Faça as contas direito, e não caia na tentação de emprestar mais do que efetivamente precisa, só porque o banco lhe garantiu que poderia liberar uma quantia maior.
É bem verdade que nenhum banco se interessa em emprestar dinheiro para quem não tem um bom histórico de crédito, e o simples fato da instituição estar disposta a lhe emprestar mais do que inicialmente imaginava é bastante animador. Mas isso não significa que você deva aceitar a proposta, especialmente se não precisa deste valor. Por mais tentadora que possa lhe parecer esta opção, não se esqueça que este dinheiro implica em custos!
Que tipo de devedor você é?
Se você sempre foi daqueles que pagam suas dívidas em dia, provavelmente não vai ter problemas para levantar um empréstimo pessoal. Em alguns casos, e dependendo da quantia, seu crédito poderá ser autorizado na mesma hora.
Mas, se ao contrário, você não tem sido um bom pagador, antes mesmo de pensar em levantar mais dinheiro emprestado, você deve quitar suas dívidas e limpar o seu nome.
Ainda assim, os bons pagadores pagam mais do que deveriam, pois os juros não são diferenciados. Mas a tendência é que o uso de metodologias mais avançadas de análise de crédito permita, em um futuro próximo, que os bancos e financeiras saibam diferenciar os bons dos maus pagadores, oferecendo juros mais baixos para o primeiro grupo. Enquanto isto não acontece, a maior diferença entre um bom e o mau pagador é a capacidade de obter o financiamento.
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Entendendo suas necessidades
Dependendo do seu histórico de crédito, você pode ter dificuldade de levantar empréstimo, ficando restrito ao uso do cartão de crédito ou cheque especial (se não tiverem sido cancelados) e, é claro, às financeiras!
Mesmo entre estas modalidades, os juros cobrados tendem a ser mais altos para pessoas com um histórico de crédito ruim. Qualquer que seja a opção, você deve analisar exatamente o quanto precisa levantar, o quanto pode dispor todos os meses.
Mesmo que o banco esteja disposto a lhe emprestar, porque a prestação não supera 25% do seu orçamento, ninguém melhor do que você tem uma visão mais clara do quanto do seu orçamento está efetivamente disponível. Lembre-se: basta um descuido e, em pouco tempo, você pode terminar completamente atolado em dívidas, piorando ainda mais o seu histórico de crédito.
Não deixe de verificar com atenção a possibilidade de quitar o seu financiamento antes do prazo. Nestes casos, você deve pedir um desconto, em linha com os juros que ainda deviam ser pagos. Como é impossível investir o seu dinheiro a juros mais altos do que você está pagando no seu financiamento, a melhor alternativa é sempre quitar a dívida.
Saiba mais sobre as linhas de crédito pessoal
Como o próprio nome diz, as linhas de crédito pessoal englobam todas as formas de financiamento disponíveis para a pessoa física, no caso você.
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Além do cheque e do cartão de crédito, também são consideradas linhas de crédito pessoal: crédito direto ao consumidor (CDC), penhor, empréstimo pessoal, linhas de antecipação (de restituição ou décimo terceiro salário) e, mais recentemente, as linhas consignadas.
Vale a pena discutir um pouco mais a natureza de cada uma destas linhas de financiamento, para que você possa escolher a mais adequada à sua necessidade.
- Empréstimo Pessoal: com bancos ou financeira
Também conhecido como crédito pessoal, este tipo de empréstimo funciona como um crédito pré-aprovado, disponibilizado em até dois dias. Porém, em alguns casos, o dinheiro chega a ser disponibilizado na mesma hora.
Na maioria, trata-se de um empréstimo com taxa pré-fixada, isto é, você sabe com antecedência quanto vai pagar de juros por mês. Apesar de variar muito, os bancos estão cobrando, em média, cerca de 5,5% de juros por mês por esse tipo de financiamento. Porém, junto a uma financeira a taxa média é maior, de cerca de 11% ao mês, podendo chegar a 15%, no caso de pessoas com histórico ruim de crédito.
Fica fácil entender que, em termos de custo, são opções mais atrativas do que o cartão de crédito (cerca de 10%) e o cheque especial (pouco abaixo de 8%), mas as quantias disponibilizadas tendem a ser pequenas. Além disso, como a dívida não é rotativa, é preciso levar em conta o prazo de pagamento. Pois, se você só precisa de dinheiro por um mês, mesmo com juros mais altos, o cartão pode ser mais interessante do que financiar por 12 meses.
- Crédito Direto ao Consumidor (CDC)
Este tipo de financiamento está sempre ligado à compra de um bem, que pode ser desde um eletrodoméstico, computador ou até mesmo um carro, podendo ser oferecido tanto por financeiras quanto por bancos. Na verdade, muitas das financeiras são controladas ou trabalham em conjunto com as lojas de varejo e concessionárias de automóveis.
As taxas de juros variam de acordo com a liqüidez do bem, isto é, a rapidez com que o bem pode ser vendido em caso de inadimplência do devedor. Além disso, a diferença entre as taxas dos bancos e as cobradas pelas financeiras é bem grande. No caso dos CDCs junto a bancos a taxa está ao redor de 3% ao mês. A razão pela qual o juro é mais baixo se deve ao fato de que o bem em geral é dado como garantia, de forma que a prestação não for paga pode ser retomado.
- Penhor
Trata-se de uma alternativa ainda muito utilizada para pequenos financiamentos. Atualmente, a Caixa Econômica Federal oferece duas modalidades de penhor: Tradicional e o Micropenhor.
Na modalidade tradicional, o bem que será penhorado é avaliado por um especialista da Caixa Econômica Federal, e o financiamento não pode superar 80% deste valor. Mas, existem limitações em termos do valor concedido, que não pode exceder R$ 50 mil. Em termos de taxa de juro, ela pode ser próxima de 2% ao mês, para empréstimos de até R$ 300, ou em torno de 3% ao mês, para valores mais altos.
Já a linha de Micropenhor é mais restrita e direcionada apenas para quem tem saldo em banco abaixo de R$ 1 mil. O valor emprestado não pode superar R$ 600 e a taxa cobrada é menor, de 2% ao mês.
- Linhas de antecipação
Existem praticamente dois tipos de linhas de antecipação: de restituição de IR e de décimo terceiro. Em geral, estas linhas permitem financiar até 70% do valor a ser recebido, sendo cobrados juros mais baixos (entre 2% a 4% ao mês), pois são garantidas pelo pagamento do benefício.
No caso das linhas de restituição de IR, por exemplo, o pagamento acontece na data de pagamento da restituição. Porém, para quem não tiver sua restituição liberada de acordo com o calendário oficial, a linha em geral deve ser quitada até o final do ano, ou seja, 30 de dezembro, ou no máximo até o final de janeiro.
E isso representa um risco. Frequentemente acontecem casos de contribuintes que, tendo cometido erros em suas declarações, acabam retidos na malha fina por anos, mas mesmo assim, têm que quitar o empréstimo. Portanto, apesar dos juros atrativos, é preciso cautela ao levantar este tipo de crédito.
- Linhas consignadas
Modalidade relativamente nova de crédito, estas linhas têm crescido rapidamente, pois oferecem menor risco para o banco que empresta o dinheiro, e juro mais baixo para quem levanta o crédito. A consignação pode acontecer sobre o salário ou de benefício de aposentadoria do INSS.
Em ambos os casos, o valor da prestação é descontado diretamente do valor depositado de salário ou de aposentadoria. Em geral, a prestação não deve exceder 30% do valor do benefício líquido recebido. O prazo de duração das linhas varia bastante, podendo ser de 12 a 48 meses, sendo que as taxas variam entre 0,95% e 3,75% ao mês, dependendo do prazo.
Uma vez escolhido o tipo de financiamento mais adequado às suas necessidades, você deve fazer uma pesquisa de mercado. Isso porque as condições oferecidas variam de instituição para instituição, e qualquer variação na taxa, sobretudo nos financiamentos de prazo mais longo, pode fazer muita diferença. Boa sorte!