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SÃO PAULO – Depois de tanto tempo economizando para comprar o carro dos seus sonhos, certamente a primeira coisa que você pensou é “preciso fazer um seguro deste carro o mais rápido possível”. Infelizmente, se você optou por um carro esportivo de luxo logo irá perceber que segurar o seu carro pode ser mais difícil do que você pensava ! Preocupadas com os altos custos de manutenção e de reparo destes veículos, muitas seguradoras estão evitando segurá-los. Ao contrário do que muita gente pensa, a principal preocupação não é necessariamente o roubo do veículo, mas sim os custos associados aos danos materiais.
Seguradora pode não vender
O que a maioria das pessoas não sabe é que a lei permite que a seguradora se recuse a vender um seguro para qualquer pessoa, sem necessariamente ter que justificar sua decisão. Na maioria dos casos, a idade do segurado é usada para discriminar o consumidor, por exemplo, o seguro de uma Ferrari para uma mulher de 40 anos é bem diferente de outro para um rapaz de 25. Nesse caso, a avaliação final pode chegar à diretoria, e muitas vezes até a presidência da seguradora. Os grandes problemas relacionados aos esportivos são certamente os danos materiais, o conserto de um câmbio de uma Ferrari por exemplo, pode chegar a R$ 80 mil.
Em relação aos veículos de alto luxo, como uma Mercedes Benz Classe S, o preço do seguro é tabelado nas corretoras. Atualmente o veículo preferido pelos assaltantes é o utilitário esportivo Mitsubishi Pajero. Até há pouco tempo, Cherokees, Mercedes e Audis disputavam esse famigerado primeiro lugar. Para muitas seguradoras, vender um seguro para uma Ford F1000, uma GM Silverado, ou uma Pajero, é sinônimo de prejuízo, dado o índice de 5,2% de roubo desses automóveis. Os movidos a diesel são mais visados pelos ladrões, já que seus motores podem ser transferidos para outros tipos de máquina.
Muito visados
Acima da média de 2% de sinistro dos veículos de passeio, esses automóveis representam um perigo às companhias de seguro, que para liberar uma apólice, chegam a exigir a instalação de equipamentos de segurança. Rastreadores, bloqueadores e localizadores contribuem para uma redução no número de roubos e em geral são incluídas nos contratos de seguro destes veículos. As companhias têm uma norma informal, que exige rastreamento por satélite de veículos acima de R$ 80 mil. No caso da Ferrari, praticamente todos são pedidos todos os equipamentos, exceto blindagem. O seguro de um modelo de R$ 600 mil é de R$ 70 mil, mais cerca de 10% do valor do veículo, que é o percentual médio usado pelas companhias.
No caso das motos, a situação é inversa, porém ainda pior. Como o risco para as segurados – principalmente de roubo – é maior que 30%, são poucas as empresas que se aventuram a realizar esse negócio, e quando o fazem, o preço do prêmio é bem alto. Normalmente, com o valor pago às companhias, você pode comprar uma moto nova em quatro anos, o que tem um efeito desestimulante para o proprietário. Em algumas empresas, há um critério de cilindradas, ou seja, para motos com menos de 500 cc, o seguro é vetado. Nessa categoria, os ladrões preferem as mais populares que, desde a invasão dos motoboys nas grandes cidades, têm mais liquidez no mercado.