Empresários investem no público das classes C e D

Expectativa de melhora do poder aquisitivo das famílias brasileiras e projetos sociais do governo Lula devem influenciar positivamente as vendas em 2003

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SÃO PAULO – A postura mais social do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva do PT está animando os empresários, que apostam num aumento do poder aquisitivo das famílias brasileiras, e conseqüentemente na recuperação das vendas ao varejo para as classes de menor poder aquisitivo.

Foco nas classes mais baixas

Por esse motivo, muitos empresários estão investindo no mix de produtos para as classes C e D, com estratégias de marketing especificas para esse segmento de mercado. De acordo com a pesquisa Target, que entrevista cerca de dez mil pessoas anualmente, as classes C e D ganham em média de dois a dez salários mínimos, e correspondem a 40,7% do consumo do país totalizando cerca de 30 milhões de domicílios.

A indústria de alimentos Brasfrigo, com sede em São Paulo e fábrica em Goiás, estima faturar cerca de R$ 270 milhões no próximo ano frente aos R$ 190 milhões obtidos em 2002, o que representa um crescimento de 42%. A empresa é fruto do Banco BMG e atua no ramo de conservas de legumes e molhos de tomate. Fundada em 1994, em pleno Plano Real, está investindo pesado na expansão da capacidade de produção a fim de atender o aumento na demanda em 2003.

A Brasfrigo acabou de inaugurar uma nova fábrica na região do Centro-Oeste e já iniciou os investimentos em outra unidade fabril com intuito de entrar também no mercado de maionese. O preço médio dos seus produtos gira em torno de R$ 1, e deve focar na qualidade e na boa apresentação para ganhar espaço no mercado. Para conseguir alavancar as vendas, a empresa também pretende participar de ações sociais do governo, como por exemplo, o programa de combate à fome.

Segmento de cosméticos também adere

A mudança no foco de atuação para as classes mais baixas não se restringe ao setor alimentício. A Niely, por exemplo, que atua no segmento de cosméticos projeta aumento de 15% no faturamento de 2003.

De acordo com o dono da fábrica, Daniel de Jesus, atualmente são fabricados mais de 300 itens para tratamento de cabelo. No ano que vem, a empresa pretende conquistar novos clientes, e assim aumentar sua fatia do mercado. É importante ressaltar que a diferença do preço de um produto “popular” em relação a uma marca líder pode chegar a até 40%.

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Outro exemplo é a rede de supermercados Sendas que alterou a estrutura das suas 87 lojas para atender melhor as necessidades dos clientes. As lojas sofreram mudanças de acordo com a localização e o público alvo. Desse total, 27 lojas passaram a atender especificamente as classes mais baixas, com foco nos produtos populares. Nas duas lojas que sofreram alterações, as vendas aumentaram cerca de 20% em apenas dois meses.

Mudança nos hábitos de consumo

De acordo com os dados do Ibope Mídia da pesquisa Target Group Index, as classes C e D ainda representam a maior parcela de consumo do país. Contudo, a participação da classe C, que representa famílias com renda entre quatro a dez salários mínimos, no consumo total de 1998 até os dias de hoje passou de 27% para 25% em 2002.

Em 1998, a renda do trabalhador pertencente às classes D e E, que correspondem a aproximadamente 18 milhões de domicílios, respondiam por 18,2% do consumo total do país e passaram para 15,7% em 2002, porém continua acima do registrado em 1995, que era de 11,8%.

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Apesar dessa queda no poder aquisitivo das famílias brasileiras, o estudo revela que os hábitos de consumo mudaram bastante nos últimos anos. Em 1999, por exemplo, apenas 0,57% das residências possuía computador, percentual que saltou para 2,04% em 2002, o que corresponde a um crescimento de 258%. O mesmo ocorreu com o cartão de crédito, que possui na sua base de clientes cerca de 23,4% de brasileiros pertencentes às classes C e D contra 5% em 1999.