Crise

Emissoras de cartões dos EUA começam a cortar limites de crédito

Na crise financeira de 2008, bancos acabaram frustrando clientes ao reduzir limites de crédito, às vezes até mesmo para bons pagadores

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(Bloomberg) — Grandes emissoras de cartões nos Estados Unidos começam a diminuir os limites de crédito dos clientes, enquanto a pandemia de coronavírus deixa milhões de americanos desempregados e com dificuldades para pagar empréstimos.

A Discover Financial Services acaba de admitir que começou a controlar as linhas de crédito. Em comunicado ao mercado na quarta-feira, a empresa disse que desacelerou a busca de novos clientes e que espera impactos de programas que permitem adiar pagamentos ou atrasar a cobrança de juros.

“À medida que o número de empréstimos inscritos nesses programas aumenta, nossos resultados financeiros serão impactados negativamente no curto prazo devido à perda de juros”, afirmou a Discover.

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O anúncio veio um dia depois de a Synchrony Financial, a empresa por trás dos cartões da JC Penney, Gap e American Eagle Outfitters, ter dito que tentará controlar as perdas administrando de perto as contas dos clientes. Em teleconferência com analistas na terça-feira, o diretor financeiro Brian Wenzel disse que a empresa está usando seu próprio acervo de dados, bem como informações de agências de crédito, para “reavaliar dinamicamente a solvência de um cliente”. Isso significa que alguns podem ter permissão para gastar mais, enquanto outros, menos.

Na crise financeira de 2008, bancos atingidos por perdas com hipotecas acabaram frustrando clientes ao reduzir limites de crédito, às vezes até mesmo para bons pagadores. Muitos clientes reclamaram que o menor limite de crédito disponível também diminuía a pontuação.

Desta vez, os bancos entram na crise com balanços mais fortes e reagiram rapidamente à desaceleração lançando programas de adiamento de pagamentos, com a expectativa que consumidores possam recuperar o atraso quando a pandemia for superada.

A Discover inscreveu quase meio milhão de contas – com saldos de US$ 3,6 bilhões – nos programas para adiar pagamentos. Mas, na quarta-feira, a empresa disse que o impacto do Covid-19 no ambiente de crédito pode persistir muito depois do surto.

“Devido à natureza e novidade da crise, nossos modelos econômicos e de crédito podem não ser capazes de prever ou estimar adequadamente perdas de crédito”, alertou a empresa. “O ritmo da recuperação é incerto e imprevisível.”

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