Elevação da Selic irá frear consumo das famílias, diz CNDL

Com alta de 0,25 p.p., taxa média anual cobrada nas operações de crédito ao consumidor aumenta para 93,83% (5,67% mensais)

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SÃO PAULO – O aumento da Selic (taxa básica de juros) em 0,25 ponto percentual, passando de 10,50% para 10,75% ao ano, irá frear o consumo das famílias brasileiras, preveem a CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e o SPC Brasl (Serviço de Proteção ao Crédito).

Com a alta anunciada na noite da última quarta-feira (26), a taxa média anual cobrada nas operações de crédito ao consumidor aumenta para 93,83% (5,67% mensais), segundo dados da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade). Para as empresas, a taxa média cresce de 47,47% para 47,81% ao ano (3,31% mensais).

Para o presidente da CNDL, Roque Pellizzaro Junior, a elevação dos juros não é capaz de resolver sozinha a escalada dos preços. Para isso, o controle inflacionário precisa ser realizado, prioritariamente, por meio de um amplo ajuste fiscal na máquina pública, com cortes de gastos de custeio do governo e desoneração dos setores produtivos.

“A elevação da Selic vai frear ainda mais o ritmo do crescimento do país e com impacto nocivo para a expansão do crédito e a geração de empregos”, disse o presidente. Em sua avaliação, o aperto inflacionário precisa ser contido, “mas é indispensável buscar alternativas que não penalizem a atividade econômica, o consumo e os setores produtivos.”

Com os juros no maior patamar em 25 meses após sete altas consecutivas, a CNDL e o SPC Brasil acreditam que o ciclo de elevações da Selic esteja chegando ao seu fim. “Vários indicadores veem apontando uma trajetória de desaceleração da atividade econômica, principalmente a produção industrial e o varejo. É de se esperar que a partir de agora esse ciclo de elevação da taxa básica de juros seja interrompido. Nenhuma medida que venha barrar o desenvolvimento produtivo é benéfica para o país”, defendeu Pellizzaro Junior.