Eletrônicos: com dólar instável é melhor trazer de fora ou comprar aqui?

Para consultor, em razão da grande carga tributária brasileira, mesmo com dólar alto, aparelhos custam menos nos EUA

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SÃO PAULO – Mesmo com a elevação do dólar, comprar produtos eletrônicos fora do Brasil continua sendo mais barato. “Dificilmente esses equipamentos custarão menos aqui do que custam no exterior. Isso porque a carga tributária que incide sobre eles é muito grande. Para se ter idéia, esses impostos representam entre 60% e 80% do preço dos aparelhos. Então, mesmo com o dólar alto, trazer do exterior acaba sendo mais barato”, afirma o diretor da IT Data Consultoria, Ivair Rodrigues.

O preço fica menor mesmo para produtos que ultrapassam a cota de isenção, ou seja, com valor superior a US$ 500. “De acordo com a Receita Federal, quando um viajante traz para o Brasil um equipamento que ultrapasse esse limite, ele precisa pagar um imposto de importação, calculado à alíquota de 50% sobre o valor excedente a cota de isenção”, explica.

Assim, um notebook Sony Vaio, modelo MB003LL, que no site Submarino custa R$ 2.499, nos EUA* sai por US$ 629, por exemplo. Considerando o valor de fechamento do dólar na última sexta-feira (10), R$ 2,31, e o imposto de importação calculado sobre o excedente da cota de isenção, esse equipamento sairia por R$ 1.601. Porém, com o valor do fechamento desta segunda-feira (13), R$ 2,14, o preço cairia para R$ 1.484.

Cuidados

Apesar do preço menor, Rodrigues faz um alerta. “Economizar com aparelhos eletrônicos importados é o típico caso em que o barato pode sair caro”. Isso porque, segundo o consultor, há pontos negativos que precisam ser bem avaliados antes de optar pela compra.

Ele cita como sendo pontos negativos o fato do aparelho perder a garantia ao entrar no Brasil e a dificuldade de se encontrar peças, caso necessite de manutenção.

“Não existe uma lei que obrigue o fabricante a manter a garantia de um produto se ele é retirado do seu País de origem. Assim, um equipamento que sai dos EUA para cá, chega ao Brasil sem garantia, mesmo que seja novo. Se ele apresentar algum problema, o proprietário vai ter que pagar o conserto do seu próprio bolso. E todo mundo sabe que a manutenção desses equipamentos não é nada barata”.

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E completa: “Além disso, muitos produtos feitos lá fora, não são feitos aqui. Ou seja, mesmo disposto a pagar pelo conserto, o proprietário pode não encontrar peças adequadas para a reparação. A solução é mandar importar, e aí você pode imaginar os custos né?”.

Volatilidade

Outro alerta feito pelo consultor é em relação a volatilidade do dólar. “Não podemos esquecer que o mundo ainda está no meio do turbilhão. Ainda não sabemos que rumo as coisas vão tomar. E a maioria das pessoas que fazem compras no exterior usam o cartão de crédito. Como o valor da fatura só é convertido para reais no dia do pagamento, pode até ser que o consumidor tenha uma boa surpresa, mas ele também corre o risco de pagar bem mais do que imaginava pelo bem adquirido”.

Para Rodrigues, antes de sair comprando para “aproveitar” o preço menor, é preciso pesquisar. “O Brasil dificilmente terá preços compatíveis, mas às vezes vale a pena pagar um pouco mais e ter a garantia que caso o equipamento sofra alguma avaria, ele terá assistência técnica, talvez até gratuita, por pelo menos um ano”, analisa.

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* Preço de venda apresentado pela loja virtual local Amazon.com