Elétricas reafirmam bom posicionamento para enfrentar crise

"Sobreviveremos sem inverter o movimento de crescimento", afirma Fernando Maia; solidez do setor é citada com otimismo

SÃO PAULO – Um dos assuntos recorrentes no V Painel de Energia Elétrica foi o reflexo da crise financeira internacional no setor. Realizado nesta segunda-feira (20) pela Apimec em conjunto com a Abradee, o evento reuniu diversas empresas e órgãos ligados ao setor na discussão do cenário atual, principalmente do segmento de distribuição.

Embora o setor de energia como um todo seja enumerado entre os segmentos mais seguros em meio a essa crise, ninguém nega que ele também será afetado. “A crise financeira não poupou nenhuma das 66 ações do Ibovespa”, afirmou Wilson Ferreira Jr, diretor presidente do Grupo CPFL Energia. Segundo ele, apesar da análise mostrar que todas as ações do índice apresentam queda desde o seu pico, em maio deste ano, o setor elétrico é um dos menos afetados.

Porém, a crise passará a preocupar se houver um sinal de financiamento onde não haja renovação, conta Ferreira. Para ele, isso fará com que haja limitação de investimento das companhias do setor.

Pontos positivos

Entre os motivos da resiliência está principalmente o bom ambiente regulatório e financeiro do segmento, que tem evoluído nos últimos anos, depois da crise do racionamento. O diretor de regulação da Abradee, Fernando Maia, mostra otimismo quando fala da crise: “o financiamento vai ficar mais difícil, mas sobreviveremos, sem inverter o movimento de crescimento”.

Outro ponto destacado, lembrado também por grande parte dos analistas, é a desalavancagem do setor, fator citado por diversas empresas em suas justificativas de bom posicionamento nesta crise. Além disso, os executivos ressaltam que o governo já sinalizou que, dentro desse cenário, a prioridade do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) será investimento em infra-estrutura, garantindo crédito para o setor.

Opinião das empresas

  • Neoenergia – “A gente está passando por uma crise muito grave. E uma crise dessa magnitude, seus motivos e conseqüências são muito bem conhecidos por todos 10 anos depois que a crise passa. Porque durante ela, nós não fazemos a menor idéia de até quando vai durar. E não dá para você querer se preparar para a crise no começo dela. Você tem que ter se preparado bem antes. E isso passa por uma política financeira que nós aplicamos na Neoenergia e implementamos a partir de 2004. Em primeiro lugar, nós não temos exposição cambial. O segundo ponto, nós somos uma empresa de infra-estrutura em uma área – Nordeste – carente de infra-estrutura.” – Erik Breyer, diretor financeiro e de relações com investidores.
  • AES Eletropaulo – “Conseguimos postergar todos os pagamentos e amortizações importantes da companhia para a partir de 2010. A boa notícia é que a companhia está preparada, se preparou e não encontra hoje e nem no futuro próximo, eu diria nos próximos dois anos, a não ser que haja uma mudança drástica, nenhuma necessidade de acesso ao mercado de capital, o que nos coloca em uma posição privilegiada nesse momento. A companhia conservadoramente não entrou em nenhum tipo de operações com derivativo. Portanto não há nenhuma preocupação da administração da empresa com solvência ou liquidez ou necessidade de refinanciamento no curto e médio prazo.” – Alexandre Innecco, diretor de relações com investidores.
  • CPFL – “Nós não temos nenhuma exposição a câmbio. E o que a companhia terá de vencimento para o ano que vem são cerca de três a quatro debêntures, que somam no total R$ 400 milhões. Se você for olhar, a geração de caixa é bastante suficiente para fazer frente a qualquer desses compromissos. Se todas essas três linhas de vencimento vencerem, são R$ 400 milhões. Eu tenho geração de caixa suficiente para pagar isso e também manter o pagamento dos dividendos.” – Wilson Ferreira Jr, diretor presidente.
  • Elektro – “A estrutura de capital está totalmente desalavancada. A Elektro está bastante confortável para lidar com a crise financeira internacional. Em termos de dívida líquida sobre Editda (geração operacional de caixa), a Elektro também tem posicionamento confortável, o que se reflete no nosso rating, que foi elevado novamente no início do ano, para AA” – Rodrigo Silva, diretor financeiro e de relações com investidores.