Educação e crédito: soluções para famílias de baixa renda

Segundo estudo, programas de transferência de renda não ensinam famílias a se emanciparem, o que seria possível com crédito e educação

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SÃO PAULO – Os programas de transferência de renda, como o Bolsa Família e o Benefício de Prestação Continuada (BPC), não são efetivos no Brasil porque aumentam a capacidade do consumo das famílias somente enquanto estas recebem os benefícios. A educação e o crédito, porém, poderiam reverter a situação.

A conclusão faz parte de estudo realizado pelos pesquisadores Fábio Soares e Marcelo Medeiros, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), e de Tatiana Britto, do Centro Internacional de Pobreza (IPC).

“Evidentemente, se as transferências forem interrompidas, essa capacidade é imediatamente reduzida. Ao menos no curto prazo, as famílias que saem da pobreza graças às transferências dependem delas para manter seu nível de consumo”, descreve o estudo.

“Portas de saída”

O estudo confirma que programas como o Bolsa Família têm portas de entrada, mas não aponta saídas e, por isso, os beneficiários tornam-se dependentes do programa e permanecem nele por tempo indefinido. A situação ideal seria “dar o peixe, mas ensinar a pescar”, ou seja, fazer com que o beneficiário conquiste independência financeira.

Entre os pontos que ajudariam as pessoas a conquistarem esta independência, de acordo com a pesquisa, estão a educação e o crédito, sendo a primeira uma medida de longo prazo e que proporcionaria mais oportunidades às pessoas de baixa renda, e a segunda, de curto prazo e que facilitaria o consumo.

“Promover a emancipação das famílias beneficiadas é, sem dúvida, relevante, mas parte do debate sobre portas de saída ignora que modificar tanto a estrutura do mercado de trabalho quanto o nível educacional da força de trabalho não são tarefas simples ao alcance de um único programa social; mais do que isso, são modificações que exigem muito tempo para se concretizar”, diz o estudo.