Dívidas: consumidor ainda não deixa de honrar compromissos com varejo

Para membro do instituto de desenvolvimento do varejo, não há nenhum comportamento de protelar pagamento da dívida

SÃO PAULO – O consumidor brasileiro que tem crédito direto com o varejo ainda não deixou de honrar seus compromissos por causa da crise financeira internacional.

“Até este momento, não existe ainda dentro do varejo uma percepção de que haja qualquer mudança do comportamento do consumidor no sentido de protelar o pagamento da dívida já tomada, ou seja, crescimento imediato de inadimplência”, afirmou o membro do conselho do IDV (Instituto de Desenvolvimento do Varejo) e diretor-geral da consultoria GS&MD, Marcos Gouvêa de Souza.

Isso acontece, de acordo com ele, porque a renda acompanhou de alguma maneira a maior oferta de crédito. Com isso, o consumo foi estimulado, nos últimos dois anos, principalmente o de bens duráveis, como automóveis, motos, eletrônicos e computadores.

Cenário diferente das financeiras

Souza ressaltou que a inadimplência ainda não é observada no crédito direto com o varejo, mas, naquele tomado nas financeiras, a realidade é diferente. Isso porque estas instituições tomaram um rumo mais agressivo na concessão de crédito. Historicamente, as financeiras são conhecidas por oferecer linhas mais caras e de maior risco.

“É diferente do crédito concedido pelo varejo, que está atrelado ao produto e existe um histórico de relação entre o cliente e a rede de lojas. Então, este crédito acaba sendo mais saudável. Mesmo grupos financeiros que passaram a atuar junto ao varejo perceberam que, por ele ter este vínculo maior com o consumidor, tinha uma inadimplência menor do que a obtida através das financeiras”, afirmou no Podcast Rio Bravo.

Consumo deve continuar

Em relação ao consumo, Souza afirmou que, com a recente crise financeira, o estado de espírito do consumidor vai ser diferente na época do Natal.

“O que vai mudar e fazer dezembro ter um resultado aquém do esperado é realmente o índice de confiança do consumidor, que mostrou que começou a atingir principalmente os segmentos de classe mais alta e, gradativamente, ele deve se espalhar para outros segmentos de mercado”, explicou.

Por outro lado, ele disse que a renda do brasileiro não vai sofrer grandes alterações até dezembro, bem como o índice de emprego. No crédito, porém, vai se consolidar o cenário de redução de prazos e aumento das taxas de juros por período de financiamento. “A oferta de crédito ao consumidor vai ter alteração, mas não significativa”.

Resultado do varejo

Diante de toda esta realidade, o membro do conselho do IDV afirmou que o varejo deve registrar crescimento das vendas entre 7% e 8% em 2008, na comparação com o ano anterior. “O que ainda continua sendo um índice excepcional, comparando com outros mercados, como os desenvolvidos, mas aquém dos 10% que havíamos previsto”.

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