Discussão na medicina: a homeopatia pode mesmo curar?

Embora exista questionamento sobre sua eficácia, procura pela especialidade cresce a uma taxa de 10% ao ano no SUS

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SÃO PAULO – Embora exista ainda muita discussão sobre a eficácia da homeopatia, de acordo com o Ministério da Saúde, a procura pela especialidade cresce a uma taxa de 10% ao ano no SUS (Sistema Único de Saúde).

O Brasil também conta com 457 médicos homeopatas registrados e 11 faculdades de medicina têm a especialidade em sua grade curricular.

O segmento já é reconhecido como especialidade médica desde 1980. A própria rede pública de saúde já o disponibiliza em 20 unidades da federação.

Discussão é antiga

Nem todo mundo sabe, mas a homeopatia, criada o século XVIII, já é reconhecida pela medicina tradicional em 15 países, incluindo o Brasil. Mesmo assim, de tempos em tempos a eficácia desse método é posta em cheque.

Recentemente, a revista britânica The Lancet considerou placebo (remédio com eficácia apenas psicológica) os medicamentos naturais, o que gerou reação de boa parte dos homeopatas, que colocaram em dúvida os critérios de avaliação da revista.

Para quem acredita nessa alternativa de tratamento, a falta de informação e a pressão da indústria de medicamento teriam motivado a publicação do estudo.

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Pontos em comum

Apesar das farpas trocadas entre as partes, alguns representantes da medicina convencional reconhecem suas limitações e apontam as qualidades da homeopatia. É o caso do professor de clínica média da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Arnaldo Lichtenstein. “A relação médico-paciente está muito degradada, e a homeopatia a resgata ao considerar o meio social e psicológico do paciente, e não só a doença”, admite.

Mas ele também tem suas reservas. Como não é possível mensurar a energia vital, avaliar a eficiência homeopática seria impossível.

A falta de evidências científicas também é reconhecida pelo homeopata Marcus Zulian. Ele menciona a falta de patrocínio como um dos principais responsáveis pela falta de estudos. Em contrapartida, as pesquisas com drogas convencionais costumam ser bancadas pelos fabricantes de remédios.