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Dia das Crianças: veja 9 dicas para ensinar seus filhos a lidar com dinheiro

De presentes e mesadas a pagamentos pelo celular, especialistas explicam como situações cotidianas ajudam a ensinar escolhas e planejamento

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O pedido de um presente no Dia das Crianças pode abrir espaço para uma conversa que vai além do brinquedo: por que não podemos comprar tudo o que queremos? Como escolher entre duas opções? E por que algumas compras precisam esperar?

Essas perguntas ajudam a apresentar aos filhos noções de orçamento e planejamento. A educação financeira começa antes da primeira mesada, quando as crianças observam como os adultos fazem compras, estabelecem prioridades e lidam com o dinheiro.

Não existe uma idade única para iniciar esse aprendizado. Segundo os especialistas ouvidos pelo InfoMoney, a partir dos 3 ou 4 anos já é possível introduzir ideias simples de troca, escolha e espera. Conforme os filhos crescem, a conversa pode avançar para temas como crédito, juros e investimentos.

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Veja nove dicas dos especialistas para aproveitar situações do cotidiano e ensinar os filhos a lidar com dinheiro:

1. Ajude a criança a separar desejos de necessidades

Na primeira infância, entre 3 e 5 anos, uma das primeiras lições é distinguir o que a criança deseja daquilo de que precisa. O pedido de um brinquedo, por exemplo, permite explicar que as coisas têm custo e que os recursos da família são limitados. Segundo Sonia Marra, consultora em seguros e finanças e presidente do CVG-RJ (Clube Vida em Grupo do Rio de Janeiro), a orientação deve acompanhar o desenvolvimento da criança.

“A partir dos 3 anos, a criança já entende a relação de troca. É o momento de ensinar que as coisas têm custo”, aponta Marra. A proposta é usar situações que os pequenos compreendam para mostrar por que algumas compras têm prioridade e outras podem esperar.

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2. Mostre que escolher também significa abrir mão

Entregar uma quantia para que a criança escolha o que deseja comprar dentro daquele limite é uma das práticas recomendadas por Rogério Araújo, CEO do Grupo TGL e diretor do CVG-SP (Clube Vida em Grupo de São Paulo). A atividade torna o orçamento concreto: se o dinheiro não permite levar tudo, será necessário decidir o que é mais importante.

“Na maioria das vezes erramos, procuramos ensinar sobre dinheiro, quando devemos ensinar sobre escolhas”, ressalta Araújo. Segundo ele, participar de pequenas decisões financeiras da família ajuda a desenvolver habilidades que vão além da matemática, como planejamento e definição de prioridades.

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3. Transforme as compras em oportunidade de aprendizado

Uma ida ao supermercado pode servir para comparar preços, discutir o que será comprado e mostrar como funciona o pagamento. Sonia Marra recomenda incluir as crianças nessas etapas para tornar mais tangível a relação entre os produtos escolhidos e o dinheiro necessário para levá-los para casa.

O aprendizado também pode continuar na rotina doméstica. Planejar compras, cozinhar mais em casa, reduzir desperdícios e conversar sobre economia de água e energia são exemplos citados pela especialista. Essas situações permitem mostrar que as decisões de consumo fazem parte da organização financeira da família.

4. Use a mesada para ensinar organização

Na fase escolar, quando a criança já domina operações matemáticas básicas, a mesada ou semanada pode ajudar a colocar em prática noções de orçamento. O exercício envolve decidir como utilizar o dinheiro recebido ao longo de um período e perceber que uma compra reduz o valor disponível para as próximas.

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“A mesada ou semanada pode ser uma ferramenta importante para ensinar organização e responsabilidade, principalmente quando o valor precisa durar até o próximo período”, explica Diogo Calixto, superintendente de negócios da MAG Seguros. A conversa sobre os gastos ajuda a relacionar o dinheiro recebido às escolhas feitas até a próxima entrega.

5. Dê um objetivo ao cofrinho

Cofrinhos e metas de poupança estão entre as práticas recomendadas pelos especialistas. Associar o dinheiro guardado a uma compra desejada ajuda a apresentar a ideia de planejamento: em vez de gastar tudo imediatamente, a criança pode reservar uma parte para alcançar um objetivo.

Essa é uma forma de trabalhar a espera e mostrar que algumas conquistas exigem tempo. Conforme os filhos crescem, o assunto pode ganhar novos elementos. Na adolescência, a conversa já pode incluir investimentos, juros e objetivos de longo prazo, sempre acompanhando a capacidade de compreensão dos jovens.

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6. Explique que pagamentos digitais também usam dinheiro

Quando uma compra depende apenas de aproximar o celular ou clicar em um aplicativo, o gasto pode ficar menos visível. Para ajudar os filhos a compreender esse movimento, Calixto recomenda acompanhar extratos, conversar sobre despesas e estabelecer limites de orçamento. Araújo também sugere relacionar o preço dos produtos ao tempo de trabalho necessário para obter aquele valor.

“Hoje o dinheiro ficou invisível, intangível. Quando basta aproximar o celular ou clicar em um aplicativo, perde-se a percepção do esforço necessário para ganhar aquele recurso”, diz Araújo. Mostrar os registros das compras ajuda a conectar o pagamento digital ao dinheiro disponível e às escolhas que ele permite fazer.

7. Converse sobre dinheiro antes que surja um problema

Falar de finanças apenas quando há dificuldades pode transmitir uma visão negativa do assunto. O planejamento de uma viagem, uma pesquisa de preços ou a organização de uma compra também abrem espaço para conversar sobre dinheiro e envolver os filhos nas decisões da família.

“Quando isso acontece, a criança tende a associar o tema a preocupação ou culpa”, alerta Calixto sobre as conversas restritas aos momentos de aperto. Evitar completamente o assunto também prejudica o aprendizado, segundo Sonia Marra: “Não conversar sobre finanças sob a justificativa de ‘proteger’ a criança faz com que ela cresça sem treino financeiro, achando que o dinheiro surge magicamente ou que sempre haverá um adulto para resolver problemas.”

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8. Evite usar dinheiro como recompensa para tudo

Os especialistas apontam como um erro usar dinheiro constantemente para recompensar o bom comportamento ou o desempenho escolar. O cuidado está na repetição dessa prática, que pode criar uma relação emocional com o consumo e fazer das compras uma resposta frequente às atitudes da criança.

Essa orientação se conecta à forma como os adultos apresentam o papel do dinheiro. Segundo Araújo, associar consumo à felicidade também transmite um comportamento aos filhos. Por isso, vale observar tanto as recompensas oferecidas quanto as mensagens que acompanham presentes e compras no cotidiano.

9. Cuide do exemplo que você dá em casa

Os três especialistas destacam que o comportamento dos pais pesa mais do que uma conversa formal sobre educação financeira. As crianças observam como os adultos compram, organizam o orçamento e estabelecem prioridades. Segundo Araújo, compras por impulso também acabam transmitindo hábitos aos filhos.

O exemplo faz parte de um aprendizado que pode influenciar decisões futuras, como formar uma reserva, evitar o endividamento e planejar a aposentadoria. De acordo com Calixto, começar cedo permite aproveitar um fator importante para a formação de patrimônio: o tempo. “Mesmo aportes menores podem crescer significativamente ao longo dos anos graças aos juros compostos, reforçando a importância do planejamento de longo prazo.”

Tem alguma dúvida sobre o tema? Envie para leitor.seguros@infomoney.com.br que buscamos um especialista para responder para você!

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Jamille Niero
Minhas Finanças | Economia | Investimentos

Jamille Niero é jornalista formada pela USCS e pós-graduada em Marketing e Mídias Digitais pela FGV. Com mais de 15 anos de atuação em comunicação, tem experiência na cobertura de finanças pessoais, comércio, serviços e, principalmente, seguros. Também passou por mídia segmentada e comunicação corporativa. No InfoMoney, acompanha temas ligados a seguros, previdência e proteção financeira.