Desemprego continua sendo apontado como vilão da inadimplência

Emprestar o nome para terceiros e falta de planejamento também foram destacados; inadimplência é maior com cheques e boletos

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SÃO PAULO – De acordo com pesquisa realizada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP), a principal causa do elevado nível de inadimplência na capital paulistana se deve ao desemprego. O estudo revelou que 60% dos consumidores alegaram que deixaram de pagar as suas contas porque perderam seus empregos.

Esse levantamento foi realizado junto aos inadimplentes que buscaram atendimento no SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) durante os meses de fevereiro e março. Além do desemprego, também foram destacadas a elevada taxa de juros atual e a carga tributária, que acabam inibindo o crescimento da economia, prejudicando as classes mais pobres, principalmente.

Desemprego, fiador e falta de planejamento

Depois do desemprego, a segunda causa mais apontada por 14% dos entrevistados foi terem sido fiador, avalista ou terem emprestado o nome para um terceiro efetuar a compra. Finalmente, 12% dos inadimplentes culparam o descontrole dos gastos.

A mesma pesquisa revelou que 44% dos consumidores tiveram problemas de inadimplência com carnês, praticamente o mesmo percentual daqueles que se endividaram com cheques emitidos, 43%. Os demais 13% se endividaram com cartão de crédito e outras formas de financiamento.

23% possuem mais de dez cheques sem fundo

Já na avaliação daqueles que emitiram cheques sem fundo e que se encontram cadastrados no Use Cheque, cerca de 26% possuem apenas um cheque no cadastro, 32% possuem dois e cinco cheques, enquanto 19% possuem entre seis e dez cheques.

Contudo, o estudo revela que cerca de 23% dos entrevistados possuíam mais de dez cheques sem fundos, sendo que a grande maioria (79%) dos cheques pré-datados foi emitida por pessoa física. Quanto aos carnês em atraso, a maioria (69%) possui apenas um carnê em atraso, enquanto o restante possuia (14%) apenas dois boletos em atraso ou tinham três ou mais carnês em atraso (17%), o que resulta numa média de 1,7 carnê em atraso por consumidor.

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Comércio foi o mais prejudicado pelos devedores

O segmento mais prejudicado pela inadimplência foi o comércio, que registra índice de inadimplência da ordem de 46%, frente aos 17% apurados pelos bancos e 15% das financeiras. Entre aqueles que se tornam inadimplentes, cerca de 22% deixam de pagar compras de roupas, 23% de calçados, 12% de móveis e 11% de eletrodomésticos.

O perfil de inadimplente não sofreu alterações, com a grande maioria (64%) dos não-pagadores pertencendo ao grupo masculino com idade entre 21 e 40 anos e renda familiar entre R$ 351 a R$ 1.000. Por sua vez, apesar de terem se tornado inadimplente, 25% dos entrevistados afirmaram que pretendem voltar a comprar a prazo, enquanto 50% devem deixar de comprar através dessa modalidade, pelo menos por enquanto.