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Desastres naturais nunca ocasionaram tantos prejuízos como em 2004

Seguradoras desembolsaram US$ 40 bilhões em indenizações no período, mas as perdas totais do ano chegam a US$ 140 bilhões

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SÃO PAULO – As ondas gigantes que destruíram muitos países do sudeste asiático, no último dia 26 de dezembro, servem como símbolo e síntese de um ano em que os desastres naturais acarretaram para o planeta as maiores perdas econômicas da história.

De acordo com relatório da empresa resseguradora Munich Re, o total de prejuízos trazidos por furacões, enchentes, terremotos e fenômenos semelhantes chegou a US$ 140 bilhões em 2004. Deste montante, cerca de US$ 40 bilhões foram ressarcidos em forma de indenizações das seguradoras, o que também é o valor mais alto já pago pelas companhias.

As informações fazem parte do documento Topics Geo, divulgado na Conferência Mundial para Redução de Desastres, organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) na cidade japonesa de Kobe. O evento começou na terça-feira (18) e segue até sábado (22).

Prejuízos se concentram na Ásia

Do total de prejuízos verificados no ano passado, aproximadamente US$ 72,6 bilhões vieram de desastres naturais no continente asiático, sobretudo, vendavais.

Embora a Ásia concentre os maiores danos, a região recebeu uma quantia de indenizações bem inferior àquela paga nas Américas. Enquanto as seguradoras desembolsaram US$ 32,5 bilhões em conseqüência de desastres naturais no continente americano, os asiáticos foram ressarcidos apenas em US$ 6,8 bilhões.

Segundo o relatório da Munich Re, essa disparidade se justifica pelo fato de haver menor oferta de produtos tradicionais de seguros na Ásia, já que a maioria da população não tem condições financeiras para adquirir o serviço. Como as pessoas não têm seguros, as empresas não gastam muito no pagamento de indenizações.

Tsunami

Somente a recente tragédia no sudeste asiático deve custar cerca de US$ 10 bilhões para as companhias de seguro, de acordo com cálculos da Associação Internacional de Seguradores (AIA). Ao contrário do que costuma se verificar na região, a maior parte dos bens destruídos estava segurada.

A catástrofe do final do ano passado foi causada por ondas gigantes que atingiram cidades costeiras de países da Ásia e até mesmo da África. As tsunamis, como são chamadas essas ondas, foram provocadas por um maremoto de 9 graus na escala Richter. Muitos países desistiram de contar seus mortos, como a Indonésia, local mais afetado pelo desastre, mas organizações internacionais já contabilizam cerca de 200 mil vítimas fatais.