Decisão da Anvisa pode gerar prejuízo de R$ 2,1 bi às farmácias

Nova regulamentação pode proíbir a comercialização de alimentos e bebidas em farmácias e drogarias

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SÃO PAULO – Uma nova regulamentação que proíbe a comercialização de alimentos e bebidas em farmácias e drogarias, pode causar um prejuízo de até R$ 2,1 bilhões por ano, se for aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

De acordo com o Diário do Comércio, periódico da Associação Comercial de São Paulo, grandes varejistas do setor afirmam que produtos ligados à conveniência equivalem a 8% do faturamento total do setor, que é de R$ 26,62 bilhões ao ano.

Objetivo x Lucro

A intenção da Anvisa é só permitir a venda de produtos ligados a saúde e higiene pessoal. A proposta, que ainda está em consulta pública e recebe sugestões até o dia 10 de setembro, proíbe ainda que farmácias e drogarias funcionem como correspondentes bancários.

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De acordo com o presidente da rede Pague Menos, Francisco Deusmar de Queirós, a decisão da Anvisa coloca em risco 7 mil empregos diretos nos 280 estabelecimentos da cadeia.

Queirós afirma que, embora a Agência Nacional pense diferente, as farmácias são empresas que precisam dar lucro, e em algumas cidades pequenas, os alimentos e bebidas representam 15% do faturamento. Ele diz ainda não ver problema na venda destes produtos, e lembra que nos Estados Unidos as drogarias vendem mais de 20 mil itens.

Segundo a Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), a venda desses produtos faz diferença, já que o lucro com medicamentos não passa de 0,83% nas 26 maiores redes do Brasil.

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Serviços bancários

O presidente da Pague Menos afirmou ainda não ver problema das farmácias e drogarias funcionarem como correspondentes bancários. Para ele, este é apenas mais um serviço de conveniência oferecido aos clientes, já que as agências bancárias ficam abertas das 10h às 16h e as farmácias, das 7h às 22h.

Para o Sindicato do Comércio Varejista de produtos Farmacêuticos de São Paulo (Sincofarma-SP), existe uma preocupação muito grande com a aprovação desta regulamentação, já que a venda de alimentos e bebidas já está consolidada no setor.

O Sindicato se diz contra apenas da venda de itens que descaracterizem o comércio de produtos ligados a saúde, como eletroeletrônicos.

Lei

A lei federal (5.991) que regulamenta o setor estabelece que os estados e municípios determinem o que pode ou não ser vendido em farmácias e drogarias e a maior parte permite a venda de comida e bebida.

Na Paraíba e no Rio Grande do Norte, estes estabelecimentos podem vender até carvão. Em São Paulo, é permitida a comercialização de recarga de celulares, pilhas, alimentos e bebidas.