De braço dado com gigante dos EUA, ação da Bematech sobe 28% em 5 dias

Por trás de uma das maiores altas dos últimos dias está uma empresa que vai realizando um processo de turnaround de sucesso

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SÃO PAULO – A Bematech (BEMA3), uma das poucas empresas de tecnologia listadas na BM&FBovespa, se aproveitou da exigência da impressora fiscal para se tornar uma empresa relevante no escopo da economia nacional. Agora, de braços dados com a gigante credenciadora de cartões Elavon, e com o fisco, a empresa quer voltar a crescer. 

“Estamos passando por um processo de turnaround”, afirma Marcel Vedrossi, gerente de relações com investidores, em entrevista ao Portal InfoMoney. “Adquirimos seis empresas de software, toda essa divisão surgiu disso”, diz o executivo – chamando a atenção para as importantes mudanças que a companhia passou recentemente, que seguraram o desempenho de bolsa da empresa. Desde sua estreia, em abril de 2007, os papéis BEMA3 recuaram cerca de 55%. Essa trajetória, no entanto, é amenizada pela forte alta nos últimos dias – as ações já se valorizaram 28% nos últimos cinco pregões. 

“Criar sinergia de seis companhias é algo bastante difícil, criou até um gargalo gerencial”, afirma Vedrossi. Parece ter surtido efeito e agradado o mercado. Foi após reverter um prejuízo milionário que a companhia engatou o seu rali de alta, mostrando que os investidores gostaram dos números apresentados pela empresa paranaense no balanço do 3º trimestre de 2012. 

Com fisco de um lado…
Um grande companheiro da Bematech tem sido as exigências do fisco, que busca aperfeiçoar as suas técnicas para evitar a evasão de impostos do País. Isso é uma excelente oportunidade para a Bematech, embora a companhia destaca o fato de que muitos potenciais compradores estão interessados em fazer “caixa dois”. “E com algumas concorrentes, isso é possível, até perdemos vendas por conta disso”, lamenta. 

A certeza, porém, é que a companhia continuará a ser beneficiada com o fato de que o governo continuará apertando o cerco contra os ilegais. “O fisco está fazendo a parte deles, e quem estiver com eles vai se dar bem”, afirma Vedrossi.

Iniciativas não faltam por aí, que acabam beneficiando de maneira indireta a Bematech: a nota fiscal paulista no estado de São Paulo e a proibição dos POS (Point of Sale, as famosas maquininhas) de Cielo (CIEL3) e Redecard no estado de Goiás – já que eles não registram venda no sistema fiscal, coisa que o pin-pad da Bematech, faz. “Todos passamos a ser fiscais”, salienta o executivo, em referência à primeira iniciativa. 

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Vedrossi destaca que por conta dela, a empresa tem ganhado espaço. “O governo aumenta a arrecadação e repassa uma parte ínfima. 2008 foi o ano que a gente mais ganhou clientes por conta disso”, diz. Essa “parceria” tem resultado em treinamentos oferecidos pela própria Bematech aos agentes, para que consigam uma maior compreensão do que as soluções da companhia oferecem.

..e uma gigante norte-americana do outro
O motivo para alegria da companhia, porém, é a recente parceria firmada entre a companhia e a Elavon, gigante credenciadora de cartões nos EUA. A empresa brasileira e a norte-americana deverão dividir em meio-a-meio as receitas de credenciamento dos clientes da Bematech que utilizarem a Elavon no lugar de Cielo, Redecard ou concorrentes.

Isso faz parte da estratégia de crescimento da Elavon no Brasil – que pretende obter cerca de 15% do market-share em poucos anos. “A empresa é bastante agressiva e vai dar um bom desconto para o lojista, que qualquer um diria que é brincadeira”, diz Vedrossi – acreditando que a Elavon deve ser cerca de 10% mais barata que as atuais líderes de mercado, Cielo e Redecard. 

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Com o acordo, firmado por cinco anos e com possibilidade de renovação por mais cinco, a ideia é dobrar as receitas com o segmento de serviços até 2017. “Caso ele [o acordo] seja cortado no meio, vamos manter as receitas dos clientes conquistados pela gente por cinco anos”, destaca.

Isso será um adicional para a máquina da Bematech, que já permite que o lojista escolha tanto a Cielo quanto a Redecard para fazer as operações. Os custos, embora um pouco mais elevados, compensam, na avaliação do executivo. Com as maquininhas por volta de R$ 70,00, manter uma de cada credenciadora fica cerca de R$ 60,00 mais barato que os R$ 200,00 de uma pin-pad da Bematech.

Isso por que o produto da empresa já vem integrado com o sistema fiscal e a própria companhia oferece suporte. “Podemos nos caminhar para um pin-pad wireless em breve”, afirma, lembrando que os custos de manter uma máquina wireless de cada credenciadora superam os R$ 200,00 – e esses estão entre os modelos mais comuns utilizados pelos lojistas, por conta da comodididade ao cliente.

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Motivos para otimismo
Enquanto isso, o gerente de relações com investidores mostra otimismo com a situação de sua empresa. Mesmo que o mercado as vezes não mostre – o que não tem sido o caso das últimas sessões – a empresa tem bons fundamentos, que Vedrossi acredita ser incompreendido.

“Tem gente que não entende como funciona para a gente, não adianta o varejo crescer, ele precisa expandir o número de lojas ou de pontos de venda”, chama a atenção. Com boa parte da economia informal se formalizando, e o desenvolvimento econômico chegando às regiões antes marginalizadas do país, é capaz de que a Bematech se beneficie.

E claro, a própria parceria com a empresa norte-americana, ponto fundamental para criação de valor para o acionista da empresa paranaense – a um custo meramente marginal. “Acho que a Elavon ainda não está refletida no valuation de ninguém”, diz.

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No momento, porém, a prioridade é completar o processo de turnaround e eliminar a dependência da empresa ao seu principal produto. “Queremos diminuir a dependência em relação às impressoras fiscais, que ainda são 60% das receitas”, diz. Ele imagina cenários extremos, como uma reforma tributária ou uma mudança muito drástica nas exigências do fisco e, por isso, não é bom ser exposto à apenas um segmento. 

“Pode haver uma mudança tecnológica, e para isso temos que estar preparados”, destaca. Mesmo se isso ocorresse da noite para o dia, a companhia não iria passar por sérios apuros, mas precisaria de ajustes significativos – o que poderia derrubar toda a rentabilidade da companhia. 

Para uma empresa muito ligada à produção de equipamentos, é difícil de não conversar sobre o “custo-Brasil”. “Temos isenção fiscal no estado do Paraná, o que garante que a gente possa produzir por aqui”, afirma. “Ou mesmo decidir se a gente vai, ou não, importar”. 

Mudança abruscas de regra é um ponto chave na companhia, e uma alteração significativa nesse cenário poderia acarretar em complicadas mudanças estruturais para a empresa. “Claro, temos capacidade de nos adaptar, mas há custo”, finaliza o executivo.