De Barueri ao Leblon, saiba onde está o aluguel está mais caro no país

Levantamento mostra diferenças superiores a 100% entre cidades e abismos de preços dentro das capitais

Centro comercial de Alphaville visto do Jardim Reginalice em Barueri (Foto: Lucas Garcia/Wikimedia Commons)
Centro comercial de Alphaville visto do Jardim Reginalice em Barueri (Foto: Lucas Garcia/Wikimedia Commons)

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Quanto custa morar de aluguel no Brasil? A resposta depende cada vez mais do CEP que a pessoa escolher. Enquanto Barueri, na Grande São Paulo, possui o metro quadrado de aluguel mais caro, ficando em R$ 72, a capital paulista fica em segundo lugar, com R$ 65,18 por metro quadrado, conforme o levantamento mensal do Índice FipeZap, que acompanha 36 cidades espalhadas por todo o Brasil.

No geral, as diferenças entre cidades e até entre bairros de uma mesma capital mostram mercados imobiliários quase incomparáveis. Mas na média, o preço anunciado chegou a R$ 54,17 por metro quadrado em julho.

Recife aparece em segundo lugar entre as capitais com o metro quadrado a R$ 64,11, Belém, a R$ 62,65, Florianópolis, a R$ 60,84, e Rio de Janeiro, a R$ 60,80.

Na outra ponta, Pelotas (RS) registra o menor valor entre todas as cidades pesquisadas, de R$ 20,68 por metro quadrado.

Entre as capitais, Campo Grande é a mais barata, com R$ 31,55, seguida de Teresina, com R$ 32,45, e Aracaju, com R$ 36,90.

Isso significa que alugar um apartamento de 60 metros quadrados, usando apenas o preço médio anunciado como referência, representaria cerca de R$ 4.320 mensais em Barueri, contra aproximadamente R$ 1.240 em Pelotas, isso antes de taxas como condomínio, IPTU e outras despesas.

Leia Mais: Aluguel sobe quase 6% até julho e continua bem acima da inflação, mostra FipeZap

Pinheiros se destaca em São Paulo…

As diferenças ficam ainda maiores quando o levantamento compara os valores por bairros. Na cidade de São Paulo, que possui preço médio de R$ 65,18 por metro quadrado, Pinheiros aparece entre as áreas mais representativas do índice com aluguel de R$ 99,20 por m² em julho. Itaim Bibi vem logo depois, com R$ 94,20, seguido de Moema, com R$ 84,80, Jardins, com R$ 82,60, e Paraíso, com R$ 82,40.

Entre os bairros selecionados pela FipeZap com preços menores aparecem Santana, na Zona Norte da capital, com R$ 48,30 por metro quadrado, e Vila Andrade, na Zona Sul fica em R$ 53,20. A diferença entre Pinheiros e Santana, por exemplo, passa de 100%. Em um apartamento hipotético de 60 m², a média anunciada equivaleria a aproximadamente R$ 5.952 mensais em Pinheiros e R$ 2.898 em Santana.

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Nos últimos 12 meses, Pinheiros acumulou alta de 6,4%, enquanto Santana avançou 8,2%. Já Vila Mariana apresentou queda de 2% e Jardins recuou 0,5% no mesmo período.

… e Leblon no Rio

No Rio de Janeiro, as distâncias são ainda mais expressivas. Embora a média da cidade esteja em R$ 60,80 por metro quadrado, o Leblon alcançou R$ 123,80 por m² em julho, praticamente o dobro da média municipal. Ipanema aparece em seguida, com R$ 117,90, enquanto Lagoa registra R$ 88,60, Copacabana R$ 76,80, Barra da Tijuca R$ 76,30 e Botafogo R$ 75,80 por metro quadrado.

Entre os bairros selecionados com valores menores aparecem Recreio dos Bandeirantes, com R$ 43,40, e Tijuca, com R$ 38,20 por m². Na comparação, o metro quadrado anunciado no Leblon custa mais de três vezes o observado na Tijuca dentro da mesma cidade.

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Também chama atenção a velocidade dos reajustes. Em 12 meses, Copacabana teve valorização de 20,8%, Botafogo de 20,1%, Flamengo de 19,3% e Lagoa de 18,3%. Mesmo o Leblon, já partindo de um dos preços mais elevados do país, avançou outros 8,7%.

Capitais mais baratas

Preço baixo, porém, não significa necessariamente aluguel estável. Aracaju é um dos exemplos mais claros. Apesar de apresentar preço médio relativamente baixo, de R$ 36,90 por metro quadrado, foi a capital com a maior valorização acumulada em 2026, de 16,12%, e também liderou a alta em 12 meses, com 25,78%.

Teresina, outra das capitais mais baratas, com R$ 32,45 por metro quadrado, acumula alta de 19,16% em 12 meses. Fortaleza, cujo valor médio é de R$ 41,66/m², registra avanço de 16,27% no mesmo período. O comportamento mostra que os mercados com valores absolutos menores podem enfrentar reajustes proporcionalmente maiores, reduzindo parte da vantagem de morar nessas localidades, conforme o FipeZap.

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Na outra ponta, São Paulo continua sendo a capital mais cara, mas seus preços subiram 5,53% em 12 meses, bem menos do que os reajustes observados em Aracaju, Teresina, Fortaleza e Rio de Janeiro.

Rentabilidade

O ranking dos preços também não coincide necessariamente com o da rentabilidade. Barueri tem o maior aluguel por metro quadrado entre as cidades monitoradas, mas seu retorno estimado com locação é de 7,12% ao ano. Santos, embora tenha preço menor, de R$ 59,97/m², apresenta rendimento de 8,44%. Campinas combina aluguel médio de R$ 55,52 com retorno de 8,23% ao ano.

Entre as capitais, Recife apresenta o maior rental yield, de 8,47% ao ano, embora São Paulo tenha o metro quadrado mais caro. A capital paulista oferece retorno estimado de 6,42%.

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Os números reforçam que preço elevado e rentabilidade não caminham necessariamente juntos. Para o inquilino, a localização continua sendo decisiva para o peso da moradia no orçamento. Para o investidor, o desafio é equilibrar valor de aquisição do imóvel, aluguel potencial e perspectiva de valorização.

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Anna França
Minhas Finanças | Carreira | Consumo

Jornalista especializada em economia e finanças. Foi editora de Negócios e Legislação no DCI, subeditora de indústria na Gazeta Mercantil e repórter de finanças e agronegócios na revista Dinheiro