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SÃO PAULO – O Brasil viveu um momento de maior concessão de crédito ao consumo entre os anos de 2006 e 2008, até que chegou a crise. Os dois fatos fizeram com que a inadimplência aumentasse, o que deve continuar no decorrer deste ano, muito mais em relação à pessoa jurídica do que à física.
“Em 2006/2007, houve afrouxamento dos critérios dos bancos em crédito, para gerar negócios. Eles aumentaram o prazo e para um tipo de cliente que não conheciam bem. O ano de 2008 foi de continuidade dessa tendência de afrouxamento, mas as consequências são geradas agora”, afirmou o diretor sênior da área de Finanças Estruturadas no Brasil da Fitch Ratings, Jayme Bartling.
Conforme afirmou, entre 2006 e 2007, a inadimplência (atrasos acima de 90 dias) estavam estáveis entre 3,2% e 3,5%, o que deve aumentar até o final do ano.
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Perdas mais rápidas
De acordo com Bartling, a base que se usa é de que, para cada R$ 100 concedidos de crédito, entre R$ 6 e R$ 10 não são recuperados. Além disso, dos mesmos R$ 100, o que se realiza (recupera) no prazo de um ano é entre R$ 70 e R$ 90. Porém, com a crise e a concessão de crédito sem critérios tão rígidos nos anos anteriores, o que se percebe é que esses números não devem se repetir.
“Com a deterioração da economia, estamos saindo desse cenário e a inadimplência será maior. A velocidade das perdas também serão maiores. Isso significa que se entrou em um nicho em que o consumidor não tinha tantas condições de pagar”, explicou o diretor sênior.
Pessoas físicas
Já o diretor-executivo do grupo de instituições financeiras para América Latina da Fitch Ratings, Peter Shaw, afirmou que o preocupante será se a inadimplência chegar a dois dígitos, o que ainda não está acontecendo, mas não se tem certeza se pode acontecer.
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Em relação ao crédito ao consumo, Shaw disse que o esperado era que essa categoria mostrasse uma maior inadimplência do que a para a produção, o que não está acontecendo. “Na pessoa física, melhora não vimos, mas também não vimos a piora na inadimplência que esperávamos”, explicou.
Funding
Para fazer frente ao mercado de crédito na crise, Bartling explicou que toda a securitização tem sido feita pelos bancos por meio de FIDCs (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios). A securitização é uma forma de transformar ativos relativamente não líquidos em títulos mobiliários líquidos e de transferir os riscos associados a eles para os investidores que os compram.
Mas o diretor sênior também explicou que os investidores têm de ficar em alerta à qualidade das informações que estão sendo prestadas nesses fundos (FDICs), frente à maior inadimplência bancária. Ele explicou que cabe o aumento da garantia, para ser mais compatível com o risco da inadimplência.