Crédito pessoal: cuidado ao se deparar com a proposta de dinheiro fácil

Tenha cautela ao contratar crédito pessoal e fique atento para não cair em armadilhas

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SÃO PAULO – Obter um empréstimo por meio do crédito pessoal está ainda mais caro. A afirmativa é resultado do nosso teste, que revela: grande parte das financeiras e dos ban-cos avaliados aumentou, e muito, as taxas de juros nos últimos anos. Dessa maneira, o ideal é que você não o considere como uma boa alternativa. Mas, se não houver outra saída, tenha cautela ao contratá-lo e fique atento para não cair em armadilhas.

Estar de olho no Custo Efetivo Total (CET) é o primeiro passo para quem pretende adquirir qualquer empréstimo. E quanto menor o CET, maior será a sua economia. Por essa razão, em nosso estudo anterior, o Itaú foi apontado como a escolha certa para a seguinte situação: R$ 2 mil a serem pagos em 12 meses.

Nesse caso, seria necessário arcar com CET de 50,05% ao ano. Hoje, para o mesmo cenário, esse valor é de 135,15% ao ano, uma diferença de 85,10 pontos percentuais. O aumento exorbitante não foi exclusividade do Itaú. Em outros bancos, assim como na maioria das financeiras analisadas, as taxas de juros referentes ao crédito pessoal deram grandes saltos, em comparação ao nosso último teste. Devido ao crescimento contínuo da taxa Selic, é natural que esses valores sofram alterações. O que não entendemos é por que os juros, que já eram altíssimos, continuam a subir indiscriminadamente.

Acesso ao crédito é simples e rápido
O crédito pessoal é concedido de acordo com a renda e a movimentação bancária do correntista. Isso significa que uma determinada quantia estipulada pelo banco fica à disposição ou “à espera” do cliente, que pode, simplesmente, utilizá- -la quando quiser. Para ter acesso ao dinheiro, não é preciso dar explicações sobre o que será feito com ele, diferente do que acontece no financiamento de um automóvel, de uma casa, de um apartamento ou de qualquer outro bem.

Pela Internet ou pelo caixa eletrônico, basta clicar na oferta, escolher o número de parcelas a serem pagas e pronto – o dinheiro cai automaticamente na conta. Essa facilidade acaba sendo bastante tentadora. Porém, lembre-se: o crédito é um recurso que deve ser usado somente em momentos de aperto. Evite-o ao máximo.

Talvez a compra da- quele móvel, por exemplo, não seja tão urgente. É mais vantajoso poupar e pagar à vista, uma vez que você fica livre dos juros e ainda pode pleitear um desconto junto à loja. E se a ideia é pegar um empréstimo para pagar outro, está na hora de rever todos os seus gastos. Frente a esse impasse, é essencial que visando ao equilíbrio e à estabilidade da sua vida financeira, sejam feitos cortes drásticos no orçamento.

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Procure outras possibilidades ou negocie
Caso o empréstimo seja inevitável, prefira o consignado, cujas taxas de juros são mais baixas. Se não for aposentado ou pensionista do INSS, confira se a empresa em que você trabalha possui convênio com algum banco. Entretanto, se a única saída for o crédito pessoal, nossa dica é a seguinte: converse com o seu gerente antes de contratar o em- préstimo.

Ao obtê-lo por meio da Internet ou do caixa eletrônico, os juros estão predeter- minados e, assim, não existe a possibilidade de negociação. Já a ida à instituição bancária pode mudar essa realidade e, quem sabe, render alguma redução nas taxas.

Juros de financeiras são ainda mais altos
A oferta de crédito pessoal é grande. Portan- to, tenha atenção às condições informadas e não se deixe enganar pelas divulgações que prometem juros baixos. Além disso, pesquise.

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Em nosso teste, constatamos que quem opta pelas financeiras, em vez dos bancos, tende a comprometer ainda mais o bolso. Constatamos isso a partir da simulação de quatro cenários: R$ 2 mil, em 12 e 24 parcelas, e R$ 6 mil, em 12 e 24 parcelas. No primeiro deles (R$ 2 mil em 12 vezes), ao contratar o crédito pela Caixa Econômica Federal, você se depara com CET de 59,47% ao ano e parCelas de R$ 212,68. Já na IbiCred, o CET é de 540,95% ao ano e o valor da mensalidade chega a R$ 396,79.

Perceba que, na financeira, um empréstimo de R$ 2 mil vai custar, ao final de um ano, R$ 4.761,48 a mais que o dobro só de juros. Para o de R$ 6 mil, também em 12 vezes, a situação não é diferente. O CET varia entre 58,87% ao ano (Santander) e 495,90% ao ano (IbiCred). Vale destacar que a Caixa foi a escolha certa para todos os cenários, embora em três deles o Santander tenha apresentado o me- nor CET. Isso porque, em nossa pesquisa de satisfação bancária, esse banco não foi bem avaliado pelos clientes no quesito crédito pessoal. Por esse motivo, não poderíamos apontá-lo como a escolha certa para você.

Tente quitar a dívida antes do previsto
Ao pegar um empréstimo, quanto mais cedo a pessoa ficar livre do débito, melhor. Use qual- quer dinheiro extra, como o decorrente de fé- rias ou do 13o salário, para liquidar as parcelas antes do previsto. A partir dessa medida, você ainda economiza, pois o montante referente aos juros é diminuído.

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Tanto os bancos quanto as financeiras têm a obrigação de informar ao cliente, sem- pre que solicitado, o valor do saldo devedor para quitação antecipada. Tenha também em mente que essas instituições não podem co- brar qualquer taxa do consumidor, caso ele decida pagar a dívida em um período menor do que o combinado.