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SÃO PAULO – A inadimplência no mercado imobiliário é um dos grandes entraves para o crescimento do setor de crédito de imóveis no Brasil. De acordo com o economista Luiz Antonio Rodrigues, diretor de crédito imobiliário do Banco Itaú, em março de 2006 o País contava com 27,6% de contratos com quatro ou mais prestações em atraso.
“O pagamento em atraso prejudica várias etapas do processo”, afirmou Rodrigues. Segundo ele, com a inadimplência, as exigências na contratação de um financiamento aumentam, o valor da entrada sobe e as garantias de trabalho são cada vez mais rigorosas.
Custos da recuperação
Durante o workshop “Crédito Imobiliário: Panorama e Perspectivas”, o economista afirmou que a grande facilidade da Justiça em conceder liminares facilita e amplia a inadimplência.
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Segundo Rodrigues, o tempo de recuperação do crédito em uma ação judicial no Brasil chega a 7 anos, e com uma perda de 82% do valor concedido. Na Europa, em países como a Inglaterra e a Itália, por exemplo, esse tempo cai para 1 e 3 anos, respectivamente. As perdas também são menores: de 4,75% na Inglaterra e entre 18% e 20% na Itália.
De acordo com dados de maio de 2006, o mercado conta hoje com 132 mil ações contra iniciadas por mutuários. Por amostragem, a estimativa é de que, dessas, 7,8% sejam julgadas procedentes, com ganho de causa para o mutuário; 32,2% sejam vistas como improcedentes, com ganho para o Banco; e 60% sejam encerradas por acordo.
A importância da adimplência
Segundo Rodrigues, manter o pagamento em dia traz ganhos para todos os setores. “O cliente ganha com uma política de crédito mais acessível, valor da entrada reduzido e um aumento do prazo de contratação”, afirma.
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Para o País, os ganhos são em relação ao desenvolvimento do mercado da construção civil, geração de emprego e renda, além da solução para o déficit habitacional, estimado em 6,7 milhões (IBGE – Censo 2000).
Durante o evento Rodrigues ilustrou como a adimplência pode beneficiar a economia através da geração de empregos e o financiamento de novos imóveis. Na tabela abaixo, pode-se verificar o impacto que a adimplência teria em uma carteira de crédito de R$ 1,0 bilhão com prazo de financiamento de 180 meses.
| Pontualidade (taxa de adimplência) | Unidades Financiadas | Empregos gerados |
| 70% | 1.100 | 6.000 |
| 85% | 12.300 | 68.000 |
| 90% | 17.500 | 96.000 |
| 95% | 23.400 | 129.000 |
(*) Assume juros de 12% ao ano, amortização pelo SAC e valor médio por unidade financiada de R$ 50 mil.
Com base nos dados acima é possível constatar que uma queda da adimplência de 95% para 70% reduziria o total de empregos gerados em 123 mil e o número de casas financiadas em 22,3 mil.