Compras pré-datadas nos supermercados “puxam” inadimplência do setor

Apesar da queda da taxa em 0,2 pp, chegando a 2,91%, mais de 82% das compras são financiadas no cheque para até 60 dias

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SÃO PAULO – A inadimplência nos supermercados do País recuou de 3,11% para 2,91% entre os meses de setembro e outubro. De acordo com a Telecheque, apesar do recuo de 0,2 ponto percentual, a taxa de devolução de cheques no setor é a quarta maior desde janeiro de 2004.

O estudo, divulgado nesta quarta-feira (30), revela ainda que, na comparação a outubro de 2004, a inadimplência do cheque nos supermercados é 0,51 ponto percentual maior, uma vez que naquela época ela estava em 2,40%.

Houve ainda o aumento do valor médio do cheque emitido em outubro, que chegou a R$ 178,70, denotando alta de 9,2% frente a outubro de 2004. Já no confronto com setembro, o valor praticamente não se alterou, recuando apenas 0,1%.

Vale dizer que a Telecheque avalia a inadimplência considerando o volume financeiro e não a quantidade de folhas de cheques devolvidos.

Cenário é favorável à inadimplência

A queda do indicador na passagem do mês não chega a animar. Isto porque as transações pré-datadas chegaram a 82,5% das compras com o cheque em outubro, sendo 52,9% financiados para 30 dias e 36,90% para 60 dias. Em outubro de 2004, os respectivos percentuais notados foram de 62,38% e 34,45%.

“As compras parceladas no segmento de supermercados comprovam que o consumidor, além de estar altamente endividado, tem mudado seu comportamento financeiro e aumentado o prazo médio de pagamento mesmo em estabelecimentos de primeira necessidade, o que, aliado aos juros altos, propicia um cenário bastante favorável à inadimplência”, comenta José Antônio Praxedes Neto, vice-presidente da Telecheque.