Comprar carro zero km fica em média 2% mais caro

Algumas montadoras repassaram aumento dos custos, Fiat Volkswagen e Ford ainda não se posicionaram; financiamento também pode ficar mais caro

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SÃO PAULO – Se você estava esperando passar as eleições para comprar seu carro zero km, é melhor pesar duas vezes. Não só as montadoras decidiram aplicar um novo reajuste nos preços dos veículos zero km, como também a alta da taxa de juros básica da economia, que passou de 18% ao ano para 21% ao ano, nesta segunda-feira, pode acabar encarecendo o custo dos financiamentos.

Aumentos de até 2%

Apesar dos aumentos ainda não serem generalizados, boa parte das montadoras já anunciou que pretende reajustar o preço dos automóveis. As montadoras alegam que diante da forte alta do dólar, o custo de produção dos automóveis aumentou, de forma que não é possível evitar um repasse para os consumidores.

A primeira a anunciar reajustes foi a Citroën, que na quinta-feira passada aumentou em 10% o custo do modelo Picasso, sucesso de vendas da companhia na classe minivan. Além disto, a montadora francesa aumentou em 7,5% todos os modelos de carros importados vendidos no país, devido ao aumento do dólar.

Seguindo esta tendência, na sexta-feira foi a vez da General Motors, que anunciou um aumento do preço da maioria dos modelos da marca entre 1% e 2,7%. Segundo a GM o forte aumento dos custos do aço seria uma das razões para o reajuste.

Da mesma forma, a francesa Renault, divulgou que estaria aumentando seus preços em média de 2%, de forma que seu modelo mais barato passou a ser o Clio Yahoo, que custa R$ 18.090 nas concessionárias e R$ 17.290 pela internet. As demais montadoras, como a Volkswagen, Fiat e Ford ainda não têm previsão de alterar suas tabelas de preços.

Juros podem subir

Se tomarmos a decisão das montadoras no mês de junho, quando optaram por reajustar os juros cobrados nos financiamentos de automóveis, apesar da decisão do Banco Central, na época de baixar os juros básicos, o mais provável é que o consumidor pague mais caro pelos financiamentos de automóveis nos próximos meses.

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Entre janeiro e agosto deste ano, a taxa básica de juros caiu um ponto percentual, passando de 19% ao ano para 18% ao ano. Neste mesmo período, de acordo com o relatório mensal do Banco Central, os juros médios cobrados nos financiamentos de carros subiram de 42% ao ano em janeiro para 50% ao ano em setembro, atingindo seu nível mais alto desde junho de 2000 quando o BC começou a divulgar estes dados.

Na época em que anunciou os últimos aumentos, a ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), alegou que a decisão refletia o fato de que os bancos das montadoras estariam cobrando mais caro por financiamentos de longo prazo, e pelo risco de inadimplência, que tenderia a aumentar diante das turbulências atuais.

Exatamente por isto fica difícil não acreditar que novos reajustes sejam praticados em breve, como forma de compensar o aumento dos juros básicos. Em termos mensais, os juros médios atualmente cobrados estão em 3,44%, caso o repasse do aumento seja integral os juros mensais devem subir para 3,65% ao mês, o que equivale a quase 54% ao ano.