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O início do ano pode ser um grande aperto para os brasileiros. Depois das compras de Natal e ano novo, o primeiro semestre já conta com uma pilha de contas, como IPVA, IPTU, matrícula escolar e plano de saúde.
Um planejamento financeiro bem estruturado pode fazer toda a diferença para começar 2025 no “azul”. O InfoMoney consultou especialistas que trazem dicas de como organizar seu dinheiro antes do fim do ano.
O ideal é antecipar parte da organização ainda no fim de 2025, já considerando as festas de final de ano. Para Josias Bento, educador financeiro, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, “o tamanho da festa de Natal e Ano Novo deve ser do tamanho do nosso bolso e não da nossa mente”.
Ou seja, organizar ceias e comprar presentes que caibam no orçamento já ajuda a aliviar a demanda de impostos e contas da virada do ano.
Quem não conseguir antecipar o planejamento pode focar em uma regra simples, segundo Harion Camargo, planejador financeiro CFP pela Planejar: listar o que vence até março, priorizar o essencial e evitar misturar despesas obrigatórias com gastos de consumo.
“Só esse mapeamento já dá clareza para montar um fluxo de pagamentos possível”, revela Camargo.
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O décimo terceiro também é uma boa estratégia para complementar a renda e garantir que todas as contas sejam pagas em dia. “Orientamos para que usem os abonos, como décimo terceiro, de forma consciente e, na maioria das vezes, para pagamento das despesas à vista, para não arrastar excedentes para janeiro e já começar o ano comprometido ou com orçamento extrapolado”, explica Daniele Cardoso, especialista em investimentos e sócia da Forum Investimentos.
Uma outra situação é usar os ganhos extras de bônus e participação nos lucros ou resultados (PLR) para as contas de início de ano.
Vale a pena pagar o IPVA à vista para ter desconto?
O Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) é um dos primeiros tributos a vencer do ano, essencial para regularizar os automóveis.
Em vários estados, pagar a cota única, que geralmente vence entre janeiro e fevereiro, garante descontos aos contribuintes.
Bento, da GT Capital, avalia que o desconto do IPVA vale a pena, pois auxilia a não acumular parcelas junto com outras parcelas de cartão de crédito, por exemplo, e possibilita ficar livre da dívida.
Já o planejador CFP alerta que o desconto será benéfico somente se a pessoa tiver caixa para pagar à vista sem comprometer despesas básicas.
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Cheguei em 2026 com dívidas, e agora?
De acordo com Cardoso, da Forum Investimentos, o mais importante é mapear as dívidas ainda em dezembro ou logo no início do ano. “Pense no caso de uma sobra ou um abono: o que você quitaria primeiro?”, indaga.
Ela ainda aconselha realizar negociações e acompanhar a evolução dos débitos. Em geral, a recomendação é quitar primeiro aqueles com maior potencial de aumento de juros, tentando renegociar e sem comprometer as contas do dia a dia.
“O importante é impedir que os juros continuem correndo e ajustar o padrão de gastos até recuperar equilíbrio. Muitas renegociações oferecem parcelas mais baixas do que manter o débito original, o que já alivia o começo do ano”, explica Camargo, da Planejar.
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Como manter uma boa saúde financeira ao longo do ano?
A boa saúde financeira ao longo do ano, de acordo com o educador financeiro Josias Bento, depende de cinco principais pilares:
- Discernimento com os gastos
- Gastar menos do que ganha
- Avaliar orçamentos mensais, considerando aqueles com maiores despesas em datas festivas e feriados
- Evitar parcelas desnecessárias
- Com uma parte dos recebimentos, fazer uma reserva de emergência e de oportunidades
A especialista em investimentos Daniela Cardoso afirma que a chave para conseguir uma boa saúde financeira é a disciplina.
“Se você conseguir poupar 2%, por exemplo, futuramente você aumenta para 5% e assim vai. Você não pode comprometer 100% de sua renda, somente assim as pessoas conseguem ter uma boa saúde financeira, mapeando, tendo controle, gastando menos do que ganham e poupando. Tudo é questão de hábito e disciplina”, comenta.
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Sobrou dinheiro, o que fazer?
Se sobrar dinheiro, a recomendação principal é não considerar como um “extra” para gastar, mas como parte do orçamento para investir em reservas ou oportunidades.
Para Harion Camargo, faz sentido reforçar a reserva ou antecipar dívidas mais pesadas. Quem já estiver com tudo organizado pode começar a investir sem complicar: títulos públicos ligados à Selic ou ao IPCA e fundos conservadores são opções suficientes para quem está dando os primeiros passos.
“O mais importante é não deixar o dinheiro parado e criar o hábito de investir de forma regular, mesmo com valores pequenos”, afirma.
