Por que saber como juntar dinheiro não basta? Confira 5 armadilhas comuns

Mesmo com informação e boas intenções, muitos planos fracassam por erros simples e e recorrentes no caminho

Carla Carvalho

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Saber como juntar dinheiro nunca foi o problema, pois informação existe aos montes, com planilhas, regras prontas e listas de boas práticas. Ainda assim, para muita gente, o dinheiro continua escapando mês após mês, mesmo quando se está “tentando fazer tudo certo”.

Na verdade, o que costuma atrapalhar o processo não é falta de esforço, e sim algumas armadilhas silenciosas que fazem o plano parecer viável no papel e difícil de sustentar na vida real. Para ajudar você a colocar em prática a organização financeira neste início de ano, separamos cinco delas para servir como alerta.

1) Tratar “juntar dinheiro” como objetivo final

Este é um dos pontos em que muita gente se perde, pois a intenção de guardar dinheiro não basta: sem uma meta, isso acaba ficando mais difícil.

Por outro lado, ter um objetivo definido (como comprar um imóvel, trocar de carro ou formar uma reserva financeira) muda completamente a relação com o dinheiro. Em 2025, o InfoMoney conversou com a planejadora financeira Janaina Mocelin, que chamou atenção para esse aspecto ao comentar o sonho da casa própria.

Segundo ela, não se trata apenas de juntar dinheiro, mas de ter clareza sobre custos, prazos e prioridades ao longo do caminho. Sem um objetivo claro, organizar as finanças vira algo abstrato e fácil de adiar.

2) Calcular o valor principal e ignorar os custos invisíveis

Outra armadilha frequente é olhar apenas para o preço “grande” da meta e esquecer tudo o que vem junto.

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Por exemplo, no caso de um imóvel, além do valor total, entram na conta a entrada (normalmente entre 20% e 30%) e despesas como escritura, cartório, ITBI, mudança, reforma e mobília. O mesmo vale para outros objetivos relevantes, como trocar de carro sem considerar eventuais diferenças de preços de seguro e IPVA, e assim por diante.

Quando esses custos ficam fora do planejamento, o valor necessário cresce no meio do caminho. Com isso, a frustração aparece e o plano perde tração, fazendo com que a pessoa se sinta incapaz de lidar com a própria vida financeira.

3) Planejar sem conhecer o próprio ponto de partida

Antes de pensar em investimentos ou estratégias, vale responder a uma pergunta básica: quanto realmente dá para guardar por mês?

Conhecer a própria situação financeira, que envolve renda, gastos fixos, despesas variáveis e capacidade de poupança, funciona como uma fotografia do momento atual. Esse retrato ajuda a enxergar ajustes possíveis e evita metas desconectadas da realidade.

Sem esse diagnóstico, qualquer tentativa de como juntar dinheiro vira aposta, não planejamento.

4) Confiar mais na intenção do que no método

Boa vontade sozinha não consegue sustentar um planejamento financeiro. Ainda assim, muita gente aposta tudo na disciplina e esquece de estruturar o caminho.

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Depois de estabelecer a meta e entender o ponto de partida, o passo seguinte envolve definir prazos e valores e escolher os investimentos.

Para metas de médio prazo, Janaina Mocelin costuma recomendar aplicações seguras e de fácil resgate, como Tesouro Selic, CDBs, LCIs, LCAs e fundos DI. Mas a escolha do investimento não resolve sozinha: manter a regularidade dos aportes pesa tanto quanto o produto escolhido.

5) Achar que só vale a pena juntar dinheiro quando a renda é alta

Muitas pessoas acreditam que guardar dinheiro só faz sentido quando sobra um valor significativo no fim do mês. O problema é que essa lógica adia indefinidamente o começo, e faz com que o hábito nunca se consolide.

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Na prática, a constância costuma pesar mais do que o valor inicial. Isso porque, quando o dinheiro é separado assim que entra na conta, o ato de poupar deixa de depender de “sobrar” e passa a funcionar como compromisso fixo.

Ferramentas simples de organização ajudam nesse processo. Modelos como a regra 50/30/20, por exemplo, oferecem um norte ao dividir a renda entre gastos essenciais, desejos e reservas financeiras, sem exigir controles complexos ou cortes radicais.

🔎 Em linhas gerais, são essas as armadilhas que mais costumam travar quem tenta juntar dinheiro:

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ArmadilhaComo aparece no dia a dia
Meta vagaGuardar dinheiro sem um objetivo definido.
Conta incompletaConsiderar só valor principal e esquecer custos extras.
Plano no escuroNão ter clareza sobre renda e quanto dá para poupar.
Boa intenção sem métodoNão definir prazo/forma de guardar dinheiro.
“Desculpa da renda”Achar que só vale a pena juntar dinheiro quando ganhar mais.