Como driblar o aumento dos juros ao consumidor?

Fique atento às dívidas que não percebe, como cheque e cartão; adie a compra financiada, mas aproveite para poupar o que gastaria com as prestações

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SÃO PAULO – O fato dos bancos e varejistas terem cobrado mais caro pelo dinheiro que emprestaram aos consumidores em fevereiro não chega a surpreender. Afinal, desde setembro o Copom (Comitê de Política Monetária) vem elevando a taxa básica da economia (Selic) todos os meses. Com isso, a taxa básica, que em agosto era de 16% ao ano, já se encontra em 19,25% ao ano!

Porém, neste período, varejistas e instituições financeiras optaram por não rever, de maneira significativa, as taxas cobradas ao consumidor, que, em decorrência, permaneceram praticamente estáveis entre agosto e novembro, chegando a cair em dezembro.

Passado o final de ano e confirmada a percepção de que a taxa básica de juros não deve cair, pelo menos não até a segunda metade do ano, bancos e varejistas decidiram colocar um ponto final na trégua, e retomaram a elevação dos juros. Perde o consumidor, que no processo tem que pagar ainda mais caro pelo dinheiro emprestado. Mas, diante dessa realidade, o que fazer?

Dívidas que você não percebe!

Muitas pessoas ouvem que os juros subiram e dão pouca atenção ao fato, pois se esquecem que, na verdade, têm dívidas. Não é porque você não está financiando nenhum bem, como eletrodoméstico, carro ou até mesmo imóvel, que o aumento dos juros ao consumidor não lhe afeta. Isso não é verdade!

Um erro comum entre os consumidores é se esquecer que cheque especial e cartão de crédito são créditos rotativos, ou seja, você já tem o limite pré-aprovado: se estourar entra no crédito rotativo, e começa a pagar, e caro, pelo dinheiro que está emprestando.

O mais interessante de tudo isso é que essas são, com exceção das financeiras, as formas mais caras de crédito pessoal, e mesmo assim, poucos refletem sobre isso, quando saem as compras. Para se ter uma idéia, enquanto a taxa média cobrada ao consumidor é de 4,21% ao mês em fevereiro, a taxa do cheque especial é de 7,80% ao mês.

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Assim, se você é daqueles que todos os meses estoura o cheque especial, ou paga apenas parte da fatura do cartão, é hora de rever radicalmente seus hábitos de consumo. O aumento do juro ao consumidor, apesar de parecer modesto quando se olha a taxa mensal (a taxa média subiu de 4,18% para 4,21% ao mês), pode aos poucos comprometer seu orçamento.

Adie sua compra financiada!

Para quem estava pensando em comprar algum bem financiado, o momento não é favorável, pois os juros, apesar de altos, não devem cair logo. Pelo menos é o que projeta o relatório Focus divulgado pelo Banco Central, e que contém a média de cerca 100 analistas de mercado. E mesmo quando caírem, os juros devem baixar gradualmente. Portanto, financiar agora não é uma boa idéia.

Neste caso, ao invés de pagar a prestação, poupe este valor e se programe para comprar o bem daqui a alguns meses. Na pior das hipóteses você consegue reduzir o saldo financiado, e esperando seis meses, pode se beneficiar de uma taxa mais atrativa, quando os juros eventualmente voltarem a cair.

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Não gaste com prestação, invista!

Vamos assumir, por exemplo, o caso de uma pessoa que pretende financiar um carro, cuja taxa média, segundo o relatório do Banco Central, é de 2,61% ao mês. Se financiar um valor de R$ 20 mil por um prazo de 36 meses, terá que arcar com uma prestação de R$ 864. No total, o financiamento irá lhe custar pouco mais de R$ 31 mil.

Porém, e se, ao invés disso, esperar mais 12 meses, e neste período investir em uma aplicação conservadora a quantia que gastaria na prestação, tendo um rendimento, após o pagamento de imposto, de 1,20% ao mês? Não venha com o argumento de que não tem dinheiro para investir, pois você ia encontrar uma forma de pagar a prestação, não ia?

Neste caso, após 12 meses teria acumulado R$ 11 mil. Com isso, ao invés de financiar o valor de R$ 20 mil, poderia financiar apenas R$ 9 mil! Não bastasse isso, como neste período os juros devem cair, você também poderia financiar esse saldo a uma taxa ligeiramente menor.

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Assumindo que financie esses R$ 9 mil em 12 meses, e que pague juros de 2,55% ao mês: neste caso a sua prestação seria de R$ 880, pouco acima, portanto, do que já vinha poupando. A diferença é que teria quitado o seu carro em 24 meses, e não em 36, e o custo do veículo seria bem menor, de cerca R$ 21 mil. Esse valor resulta de 12 depósitos de R$ 864 e do pagamento de 12 prestações de R$ 880!

Fica fácil entender, portanto, que ao invés de financiar por um prazo longo, vale mais a pena adiar a compra, poupando a quantia que inicialmente iria gastar com a prestação, para depois, ou pagar à vista, ou pelo menos financiar uma quantia menor a uma taxa mais baixa. Quando os juros sobem, o momento não é de financiar, mas sim de aproveitar a elevação para investir o que seria gasto em renda fixa, adiando por alguns meses a compra. Com o dinheiro economizado você pode até mesmo fazer aquela viagem que estava planejando, ou simplesmente, começar seriamente a poupar para seu futuro.