Comércio ilegal de produtos de limpeza põe saúde do consumidor em risco

Atraído pelo baixo preço, o consumidor não percebe o perigo: os produtos respondem por mais de 40% das intoxicações

Publicidade

SÃO PAULO – Cerca de 9% dos casos de intoxicação são causados por produtos de limpeza, segundo o Ministério da Saúde. Estima-se que mais de 40% dos casos de intoxicação por estes produtos sejam decorrentes do uso de itens clandestinos.

E as vendas dos líquidos “piratas” vêm aumentando. Dados da Latin Panel apontam que o comércio destes produtos dobrou nos últimos cinco anos. Em 1999, correspondiam a 13% do total de produtos de limpeza vendidos na Grande São Paulo, contra 78% do varejo. Em 2004, essas proporções passaram a ser de 26% para os clandestinos e 65% dos originais.

Para se ter uma idéia, metade da água sanitária (popular “cândida”) vendida na cidade de São Paulo é irregular. O prejuízo anual do setor, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Produtos de Limpeza e Afins (Abipla), chega a R$ 590 milhões.

Perigo para o consumidor!

Os artigos ilegais são vendidos de porta em porta ou em pequenas lojas, em garrafas reutilizadas de refrigerantes ou mesmo de produtos de limpeza. O consumidor é atraído pelo baixo preço cobrado – a economia pode chegar a 50% – e não percebe os riscos que corre nesse tipo de compra.

Como não possuem embalagens regulares, esses materiais não trazem informação sobre as substâncias utilizadas na composição, nem os cuidados a tomar em caso de ingestão acidental ou contato com certas partes do corpo, como os olhos. Os casos mais comuns de intoxicação ocorrem com as crianças, que confundem os líquidos com água ou refrigerante.

Projeto de lei

Um projeto de lei (530/03) tramita na Câmara dos Deputados e visa estabelecer normas de segurança para a embalagem de produtos como remédios, produtos químicos e inflamáveis de uso doméstico. As embalagens deverão ser diferenciadas sempre que o produto apresentar riscos à saúde.