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SÃO PAULO – Para conter picos de inadimplência, comum principalmente nos meses de março e abril, o comércio paulistano lança mão de uma técnica: o adiamento de vencimento de suas parcelas. A afirmação é de Emílio Alfiere, economista da Associação Comercial de São Paulo.
Segundo ele, historicamente os consumidores deixam de honrar suas dívidas a partir de março. O motivo é a administração das próprias finanças, após a febre de compra das festas de fim de ano. “Normalmente a pessoa paga no primeiro mês duas dívidas, mas depois no segundo paga só uma e no terceiro não consegue pagar”, explicou.
Intensificação
Por exemplo: o consumidor compra um produto em três vezes no final em dezembro. A primeira, a segunda e a terceira parcela vencem em, respectivamente, janeiro, fevereiro e março. Com isso, o início da inadimplência, comum a partir do vencimento da segunda quota, se intensifica no terceiro mês do ano.
Quando o lojista posterga o primeiro pagamento, deixando-o para fevereiro ou até mesmo para março, o movimento de inadimplência começa a se intensificar no meio do ano. “Não que isso reduza o índice, mas torna a curva mais constante”, explicou o economista.
Problemas
Para se ter uma idéia, a média do saldo líquido de débitos pendentes (registro menos cancelamento, dividido pelas consultas dos últimos três meses) foi de 5,3% no ano passado. Em março e abril foram de, nessa ordem, 7,3% e 6,9%.
“Isso traz problemas para o comércio, que precisa se financiar para conseguir pagar suas próprias dívidas”, afirmou Alfieri. Com uma curva não tão flutuante, fica mais fácil para o lojista administrar seu caixa. “Aí não acontece o mesmo do final da década de 90, quando grandes redes quebraram por causa disso”, detalhou.
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O economista ainda afirmou que isso não está próximo de se tornar realidade. “A situação econômica está estável e a inadimplência controlada, apesar de sua média ter crescido nos últimos anos”, afirmou.
De acordo com ele, a preocupação se dará quando o índice atingir dois dígitos. “Mas o sistema de prevenção do problema está muito mais maduro atualmente. As lojas estão analisando muito mais o perfil do consumidor antes de conceder o crédito”, adicionou.
E para o consumidor?
A vantagem que o dispositivo dá ao consumidor, segundo o economista, é o prazo maior para tomar fôlego antes de pagar as contas. “A pessoa consegue se programar melhor”, explicou. A cobrança de juros, que está em cerca de 5% ao mês no comércio, não deve ser alterada.
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“Mas a prática também é arriscada. Quanto mais tempo que a pessoa tem para pagar a dívida, menos se tem uma previsão de sua quitação”, finalizou.