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SÃO PAULO – Se o consumidor tiver sorte, sua conta de energia elétrica estará 40% mais cara daqui a cinco anos. A expectativa é da Comerc, empresa que atua no mercado como membro da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).
“Esse aumento leva em conta apenas o reajuste de cobrança da própria energia em si, vinda de hidrelétricas. Mas o total ficará maior calculando a energia de termelétricas, a cobrança de tributos e de fios das distribuidoras”, afirmou o diretor da entidade, Marcelo Parodi.
Análise
Para se fazer a análise, devem ser levados em consideração diversos fatores. O primeiro deles é o preço empregado nos leilões de energia elétrica, realizados pelo governo federal.
Após o período do racionamento, no final de 1990, o consumidor foi estimulado a gastar 20% a menos de seu consumo por mês. “Mas depois disso, inclusive as indústrias mantiveram esse gasto mais contido”, explicou Parodi. Isso, por sua vez, resultou em uma oferta maior do produto, o que fez com que seu preço caísse.
Leilões
“Os leilões são feitos para o consumo nos próximos oito anos”, detalhou o diretor. Em 2005, ficou acordado que as usinas comercializariam cada megawatt/hora por R$ 57. Em 2006, o mesmo tanto ficou custando R$ 67,33 e, para o ano que vem, o preço deve ser de R$ 75,46.
“Esse é um preço até relativamente baixo, exatamente por causa dos reflexos do racionamento na oferta da energia“, adicionou Parodi.
Investimentos
Com os novos investimentos no setor, porém, o preço tende a aumentar, uma vez que essas fornecedoras já estão estabelecidas no mercado há algum tempo, tendo, portanto, o retorno de seus investimentos.
“Essa é a energia velha. Já a energia nova, que é a de novas distribuidoras que ainda têm de resgatar o investimento e não passaram pelo período do ‘apagão’, deve vir o dobro mais cara, em R$ 116, até R$ 125 daqui a cinco anos”, explicou.
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Representatividade
O valor referente à energia elétrica, propriamente dito, representa 40% da conta do consumidor. Os 60% restantes dizem respeito a tributos, encargos e fios. “Esses preços também têm aumentado”, alertou o diretor.
Outro fator que gera preocupação é a energia termelétrica. Conforme Parodi, o País trabalha com apenas 30% de sua capacidade no setor hidrelétrico. Mas, apesar disso, são as termelétricas que mais vêm ganhando espaço no setor.
“Além de prejudicarem mais o meio ambiente por usarem óleo diesel na operação, metade do gás natural consumido por elas vêm da Bolívia. E não se sabe como ficarão as negociações de preços com o país vizinho.”
O custo produtivo em si já é mais caro. Atualmente, cada megawatt/hora vale R$ 140.
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Energias alternativas
Já que as termelétricas produzem a um preço muito alto e ainda por cima agridem o meio ambiente, investir em fontes alternativas é um bom caminho, certo? Segundo Prodi, não é bem assim que as coisas funcionam.
“Estrategicamente a energia eólica (ar), de biomassa e de pequenas hidrelétricas é algo bom para o Brasil, mas na prática não funciona”, explicou.
Como exemplo, ele explicou que são produzidos atualmente cerca de 3.300 megawatt/hora por meios alternativos. O consumo dos brasileiros, no entanto, é estimado em 47 mil megawatts/hora.
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Risco de novo apagão
Segundo o especialista, a energia pode ficar ainda mais cara por conta de um problema já conhecido pelos brasileiros: o apagão, ou racionamento de energia.
“Pode haver isso em 2009, 2010”, estimou. Para se ter uma idéia, na primeira vez que a tática foi empregada, quando o consumo não era reduzido em 20%, as distribuidoras repassavam às concessionárias cada megawatt/hora a R$ 684. Esse total, conforme o especialistas, pode chegar até a R$ 700, apesar do teto estipulado atualmente pelo governo federal ser de R$ 515.