Com medo da crise, argentinos guardam dólar no “Colchão Bank”

Governo ofereceu não cobrar 20% de Imposto de Renda de quem deixar dinheiro no banco

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SÃO PAULO – O governo argentino está injetando dólares na economia do país em uma tentativa de acalmar a economia após as últimas desvalorizações da moeda local. Porém, aqueles que conseguem ter acesso à moeda americana não deixam o dinheiro no banco e preferem guardar embaixo do colchão, ato também conhecido como “Colchão Bank”.

De acordo com o jornal The Wall Street Journal, após a depreciação do peso em relação ao dólar, o governo da Cristina Kirchner permitiu enfraquecer a moeda em15% na semana passada para cerca de 8 pesos por dólar. Foi a maior queda da moeda em mais de uma década e gerou apreensão entre os argentinos que se lembram da desvalorização violenta em 2002.

Recentemente, foram instauradas regras para tentar impedir a venda de moeda estrangeira no mercado negro. Uma delas é a oferta do governo de não cobrar 20% de Imposto de Renda de quem deixar o dinheiro em contas poupança ou em algum fundo por, pelo menos, um ano.

No entanto, a oferta não convenceu a população. Dados da Afip (Administração Federal de Ingressos Públicos) mostram que até quarta-feira foram feitas 230.338 solicitações para a aquisição de dólar, sendo que 214.015 pessoas preferiram retirar o dinheiro na hora do que depositá-lo no banco, ou seja, guardando dinheiro em casa.