Com maior inadimplência, resultado da Qualicorp decepciona o Deutsche Bank

Maioria dos indicadores vieram abaixo do esperado pelo banco, mas instituição continua recomendando compra das ações

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SÃO PAULO – Um salto na inadimplência e a perda de fôlego no crescimento de novos planos de saúde fizeram com que o resultado do quarto trimestre da Qualicorp (QUAL3) desapontasse, afirma o Deutsche Bank em relatório assinado pelos analistas Josh Milberg e Luis Felipe Bresaola.

A empresa apresentou um lucro de R$ 9 milhões, acima do prejuízo de R$ 19 milhões do mesmo período de 2010, mas abaixo das estimativas do banco, que eram de R$ 15 milhões. Já a receita líquida avançou 43% anualmente, para R$ 954 milhões, e o Ebitda (geração operacional de caixa) ajustado foi para R$ 63 milhões, alta de 37% na mesma comparação.

Apenas o faturamento ficou em linha com a projeção dos dois analistas. Esse balanço menor que a estimativa fez com que o Deutsche acendesse a luz amarela para as perspectivas frente a 2012. Para a instituição, agora o investidor quer saber se o ano como um todo virá menos relevante do que as projeções.

Inadimplência
O relatório mostra que o salto no “mau endividamento” dos contratantes, que tem a ver com a inadimplência dos clientes da Qualicorp, foi muito alto. As provisões para devedores subiram para R$ 11,9 milhões entre outubro e dezembro, representando 6,2% das receitas. No período imediatamente anterior, esse patamar era de 3,3%, em R$ 5,9 milhões.

O avanço fez com que as adições de novos planos entregue pela companhia entrasse em desaceleração. No último trimestre de 2011, foram 25,8 mil, contra 36,3 mil nos 12 meses anteriores e 31,6 mil entre julho e setembro. Mas o Deutsche explica que foi exatamente o reajuste de preços realizado pela Qualicorp no terceiro trimestre que impulsionou essa inadimplência.

Recomendação
Os analistas recomendam a compra das ações QUAL3, indicando um preço-alvo de R$ 19. Com isso, o potencial teórico de valorização do ativo é de 20,25% frente ao fechamento observado em 28 de fevereiro. Em fevereiro, contudo, os papéis já acumulam perdas além de 12%.