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SÃO PAULO – Até pouco tempo atrás, a disparada no preço de commodities era quase que uma certeza em tempos tomados justamente por incertezas advindas de todos os lados, especialmente da economia norte-americana. Produtos como o petróleo e o ouro acumulavam altas sucessivas.
Tal trajetória ascendente encontrava respaldo em diversos fatores, mas dois deles podem ser destacados como os principais: o robusto crescimento econômico chinês, que se sobrepunha aos temores de recessão nos EUA, e a desvalorização do dólar com a flexibilização monetária aplicada pelo Fed, que elevava a atratividade das commodities como investimento alternativo.
E embora a China continue de fato crescendo exponencialmente, o outro lado da fórmula deve estar perto de encontrar uma inflexão. Indícios não faltaram nas últimas sessões de que um aperto monetário está por vir nos EUA: Ben Bernanke, presidente do Fed, Henry Paulson, secretário do Tesouro dos EUA, e Charles Plosser, chairman do Fed da Filadélfia, foram alguns que flertaram com tal possibilidade.
Especulação perde força
Desta forma, a moeda norte-americana vem invertendo o seu usual movimento de queda, mostrando apreciação nos últimos pregões, e esta quarta-feira (23) não é exceção. A divisa opera a seu maior patamar frente ao iene nas últimas quatro semanas, ao passo que em relação ao euro, o valor apresentado pelo dólar é o maior nas últimas duas semanas.
Com isso, grande parte da especulação que guiou ascendentemente as commodities nos últimos meses perde força. Os recentes esboços de recuperação por parte dos mercados acionários ao redor do mundo também colaboram para que, nas palavras dos analistas do SaxoBank, “as trajetórias das commodities voltem a responder aos elementos que lhe são intrínsecos, ou seja, à relação demanda-oferta”.
“Com os preços das ações um pouco menos instáveis, a procura dos investidores por ouro e prata como instrumentos de safe haven ao flight to quality” – expressões usualmente empregadas pelo mercado a ativos considerados seguros frente às turbulências da renda variável – certamente se faz decrescida”, afirma o banco. Paralelamente, o lado da demanda pelas commodities também começa a demonstrar sinais de impacto.
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Para o SaxoBank, a expressiva desaceleração econômica que já começa a ser sentida na Zona do Euro e os temores de um quadro recessivo nos EUA, que viria em um cenário especialmente espinhoso, dada a deterioração do panorama inflacionário, começam a ofuscar o crescimento chinês e sustentar projeções de um menor consumo do petróleo e dos metais no mundo.
Ouro e petróleo devem cair mais
Para aqueles que torcem para um retorno das altas nas negociações do petróleo e do ouro, de olho no comportamento das ações da Petrobras e da Vale, as perspectivas da equipe do SaxoBank não são positivas. Os analistas acreditam que ainda há espaço adicional para uma maior correção no preço das commodities.
Analisando primeiro o mercado do petróleo, a equipe afirma que “agora que os temores de impacto na produção por conta da tempestade tropical no Golfo do México e das tensões geopolíticas no Oriente Médio estão arrefecidos, o atual receio é de uma oferta crescente em meio a um complicado ambiente macroeconômico no mundo, o que deve promover a continuidade da queda nas cotações nessa semana”.
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Desta forma, o preço do barril de petróleo negociado em Nova York deve perder o suporte em torno dos US$ 125,00. A onça de ouro deve enveredar pelo mesmo caminho, mostrando novas desvalorizações nos próximos dias. “A despeito do que seria o usual, as greves nas minas sul-africanas não tiveram nenhum impacto sobre o mercado, que segue focado em reduzir o excessivo prêmio no preço do ouro”, observa o SaxoBank.
Por sua vez, enquanto que a maioria das commodities metálicas disparou nos últimos meses, o cobre freqüentemente se mostrava como o ponto fora da reta, acumulando seqüências negativas em seu preço. E para o SaxoBank, isto pode estar perto de terminar. Ainda que, inegavelmente, a oferta do metal ainda seja alta frente ao seu consumo, quedas na produção indiana e da BHP Billiton aliadas a greves no Peru podem trazer fôlego de alta às cotações, ao menos no curto prazo.