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SÃO PAULO – Com a queda dos juros anunciada pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal, nas suas principais linhas de crédito, alguns consumidores podem estar cogitando a hipótese de transferir as dívidas que têm nos bancos privados para tais instituições, recorrendo à portabilidade de crédito.
Embora seja possível transferir a dívida de um banco para outro desde 2006, o presidente do Conselho de Administração do Ibef-SP (Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças), Keyler Carvalho Rocha, explica que a teoria é um pouco diferente da prática.
A análise de crédito
Nesse novo cenário, no qual os juros dos bancos estatais estão mais atrativos em relação aos bancos privados, os devedores não vão conseguir se beneficiar da portabilidade indiscriminadamente. O que acontece é que, para transferir uma dívida de um banco para outro, o devedor precisa, antes de mais nada, ir até o banco com os juros menores, abrir uma conta e passar por uma análise de crédito.
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Embora o Banco do Brasil e a Caixa estejam de fato oferecendo crédito a taxas melhores, eles não possuem condições de atender toda a demanda, logo, a análise de crédito será bastante criteriosa. Assim, apenas os melhores pagadores serão aprovados. “Existe muito mais interessado do que capacidade de empréstimos. Haverá uma restrição em conceder os financiamentos”, prevê Rocha.
Os custos da portabilidade
Mas isso não quer dizer que o devedor deve descartar a portabilidade. Assim, se decidir fazer, é preciso abrir a conta no banco e esperar a aprovação. Caso aprovado, é importante saber que essa transferência de dívida de uma instituição para outra é gratuita. No entanto, conforme explica o Banco Central, nas operações contratadas antes de 10 de dezembro de 2007, pode ser cobrada tarifa pela liquidação antecipada, se ela estiver prevista no contrato. Assim, se este for o seu caso, avalie se a cobrança da tarifa não traz desvantagem na portabilidade.
Em relação aos impostos, não há cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para portabilidade, mas, se a instituição para a qual migrou oferecer mais crédito, sobre este empréstimo a mais incide o imposto.
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Vale destacar ainda que mesmo, com possibilidade de ser gratuita, a migração do crédito pode trazer outros custos, dependendo da modalidade. No financiamento imobiliário, por exemplo, há custos do cartório e tarifas para vistoria do imóvel, que ficam por conta do cliente, o que pode não ser tão vantajoso.
Aproveitando a queda dos juros
Rocha ainda explica que, embora a portabilidade seja interessante para as dívidas de longo prazo, como financiamento de casa e de carros, os juros nesses casos normalmente já são baixos em todos os bancos, fazendo com que nem sempre seja necessário recorrer à portabilidade. Mesmo com as recentes quedas dos juros do BB e da CEF, Rocha não acredita que haverá um grande movimento de portabilidade.
Essa redução dos juros trará bastante impacto nas dívidas de curto prazo, mas sem que seja preciso recorrer à portabilidade. A estratégia é a seguinte: o mais cedo possível – bem antes do vencimento da sua dívida – o devedor deve solicitar o empréstimo no banco que oferece juros menores.
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Assim que o crédito for aprovado, ele deve solicitar o valor ao banco no mesmo dia em que for quitar sua dívida no outro banco, com as taxas maiores. Assim, ele transfere sua dívida para outro banco, sem recorrer à portabilidade. E ainda sente um impacto maior na redução de juros, já que os encargos financeiros das dívidas de curto prazo, como cartão de crédito e cheque especial, são muito maiores do que os das dívidas de longo prazo.
Essa queda de juros também pode ser um argumento a ser usado com o gerente da sua conta para reduzir os juros de algum empréstimo que você tenha. Porém, Rocha não acredita que será algo muito eficiente. “Os bancos têm que ter uma política geral de redução de juros e não ficar analisando caso a caso”, analisa o especialista. Dificilmente os bancos vão reduzir muito os juros, “enquanto houver procurar por crédito, porque eles vão baixar as taxas?”.