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Colunista InfoMoney: O poder dos incentivos

A economia trata das escolhas dos indivíduos e estes respondem invariavelmente às condições do ambiente em que estão inseridos

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Boa parte da teoria econômica passa pelo estudo dos incentivos. A economia trata das escolhas dos indivíduos e estes respondem invariavelmente às condições do ambiente em que estão inseridos, incluindo aí os incentivos que lhe são oferecidos.

O proprietário de um terreno vazio possui diversas opções do que fazer com sua propriedade. Porém, se o banco local cria uma linha de crédito vantajosa para se plantar abobrinha, cria-se um incentivo para o sujeito plantar abobrinha. Desta forma, os incentivos vão moldando a tomada de decisões dos agentes e, de um modo geral, a economia como um todo.

No entanto, muitas leis e decisões que determinam nosso ambiente geram incentivos distorcidos e que usualmente acabam criando efeitos contrários daqueles inicialmente planejados. Qual seria, por exemplo, o incentivo torto escondido por trás de uma lei que nos obriga a usar o cinto de segurança? Como o próprio nome já diz, o cinto nos traz segurança.

Pois bem, se eu dirijo em segurança, eu tenho o incentivo de chegar mais rápido aos lugares. Aumento, então, a velocidade com que dirijo, pois estou mais seguro do que antes. Como todos estão sujeitos ao mesmo incentivo, todos passarão a correr mais. O resultado disso só pode ser o aumento do número de acidentes nas estradas.

A obrigatoriedade do cinto, de fato, diminui o número de mortes por acidente, mas ao mesmo tempo faz aumentar o número total de acidentes. O número de mortes, no final, acaba sendo igual, ou até maior, do que o de antes da obrigatoriedade do cinto.

“Muitas leis e decisões que determinam nosso ambiente geram incentivos distorcidos”

Casos como este existem aos montes em nosso dia a dia. A descoberta de um método contraceptivo mais eficiente que os atuais diminuiria os casos de gravidez indesejada? É duvidoso. Com o sentimento de estarem mais seguros contra uma gravidez indesejada, os casais teriam o incentivo de transarem mais vezes (ou um maior número de casais passaria a sentir seguro o suficiente para começar a transar).

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O novo sistema contraceptivo diminui as chances de gravidez por relação sexual, mas ao mesmo tempo a freqüência destas relações aumenta. O resultado é, no mínimo, o número de casos de gravidez indesejada continuar os mesmos de anteriormente.

Este problema está relacionado ao que os economistas chamam de risco moral (“moral hazard”). O risco moral existe porque as pessoas reagem de forma diferente do normalmente esperado quando elas se deparam com situações e incentivos diferentes. É isto que explica, por exemplo, o fato das seguradoras estabelecerem franquias nos seguros de automóvel. A franquia funciona como um incentivo para os motoristas não descuidarem de seus veículos que já estão assegurados contra danos.

Para um policymaker ou executivo, além dos objetivos de suas políticas e medidas, os mais diversos incentivos que elas gerarão devem ser levados em consideração no momento da tomada de decisão e na formatação dos contratos.

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João Alberto Peres Brando é economista e escreve mensalmente na InfoMoney, às sextas-feiras.
joao.brando@infomoney.com.br