Clonagens de cartões de crédito estão quase abolidas no Brasil, diz Visa

País é o mais avançado na adoção de cartões com chip na América Latina, mas segurança em pagamentos ainda preocupa

Publicidade

SÃO PAULO – O Brasil é o segundo país mais avançado na adoção de cartões de crédito com chip do mundo, de acordo com a Visa. Perde apenas para a Inglaterra e, assim, figura em primeiro lugar na América Latina.

Ao substituir os modelos que possuem apenas a tarja magnética, os cartões com chip praticamente eliminam as possibilidades de clonagem. A marca iniciou em 1996 a implementação dos cartões com chip e o nível de uso da tecnologia atualmente no Brasil fez com que as notificações de clonagem cheguem a um nível praticamente nulo nos últimos anos.

“O avanço do chip não é apenas na emissão do cartão, mas também nos terminais de transação e nos ATMs (caixas eletrônicos). Quase todos os terminais já estão prontos no Brasil”, declarou o diretor exclusivo de Sistema de Risco de Pagamento da Visa Inc. América Latina e Caribe, Jacinto Cofiño.

Ferramenta do InfoMoney

Baixe agora (e de graça)!

O executivo explica, porém, que outro importante tipo de fraude envolvendo cartões, a chamada “cartão não-presente”, ainda preocupa em todo o mundo, inclusive no Brasil. Esse tipo de fraude ocorre em compras e transações sem o uso físico do cartão (em compras por telefone ou pela internet, por exemplo). Nesse caso, os fraudadores usam informação roubada da tarja magnética ou outras informações pessoais do usuário, armazenadas em bancos de dados violados.

Padrões internacionais
Para o segundo tipo de fraude, a companhia tem buscado, entre suas principais iniciativas, o fortalecimento do PCI Council, um conselho internacional responsável pelo desenvolvimento, gerenciamento e ações educativas a respeito de padrões de segurança nos meios de pagamento eletrônicos.

“Nosso objetivo é divulgar os padrões de segurança do PCI não apenas nos bancos, mas também para todas as lojas, tanto as físicas quanto as virtuais”, afirmou Cofiño.

Entre as exigências do PCI está a garantia da segurança das informações dos clientes, que não pode ser armazenada pelo estabelecimento, apenas pelo banco. Isso evita que o acesso ao banco de dados da loja forneça aos criminosos “dados sensíveis” que os permita cometer fraudes. As maiores redes de comércio que atuam no Brasil, que realizam transações com cartões da bandeira Visa, têm até setembro deste ano para adotarem as exigências.

Gerenciamento de risco
Ainda segundo Cofiño, o sistema de administração de risco em pagamentos da companhia possui algumas ferramentas principais. Uma delas chama-se Visa Advanced Authorization (VAA), que envia à instituição emissora do cartão um aviso de que tal compra desvia do padrão de comportamento do cliente.

“Esse comportamento não identifica o cliente nem fere sua privacidade. Ao realizar cada pagamento, é gerado um código que passa por cerca de 20 variáveis – como valor muito alto, mercadoria muito diferente das compradas naquela região ou mesmo em uma loja suspeita. A essa transação é dada uma nota (score de risco) e o banco decide o que fazer com essa informação: se bloqueia, se liga para o cliente para confirmar, se libera a transação”, explicou o gerente de risco da Visa para o Brasil, Edson Ortega.

Continua depois da publicidade

Ortega afirma que a ferramenta tem sido melhorada, quase eliminando os “falsos positivos”, ou seja, os alertas de risco que se revelam como transações legítimas.

Outra solução, chamada Verified by Visa, é voltada ao comércio eletrônico. Ela é uma garantia a mais ao emissor do cartão de que determinada compra está sendo feita por uma loja virtual que segue os padrões de segurança exigidos e que o consumidor é realmente o portador do cartão e não um criminoso.

Consumidor atento
A gerente de relações corporativas da companhia, Jennifer McGowan, lembra que, apesar de o sistema de gerenciamento de risco da companhia incluir praticamente todos os agentes do setor – emissor, estabelecimento e rede de pagamento -, o consumidor também tem seu papel na hora de evitar problemas de segurança.

Continua depois da publicidade

“O usuário também precisa ter conhecimento de que não pode fornecer seu cartão a terceiros, deve avisar ao banco quando for viajar, deve manter seus dados pessoais seguros”, destaca Jennifer. “Nesse ciclo, cada um tem sua responsabilidade”.