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SÃO PAULO – É cada vez maior o número de cheques roubados, clonados e fraudados no país. Dados da Associação Brasileira das Empresas de Informação, Verificação e Garantia de Cheques (Abracheque) mostram que o total de documentos devolvidos por estes motivos praticamente dobrou em curto espaço de tempo.
De acordo com os números divulgados pela Abracheque, de 2001 para 2003 o total de documentos frios praticamente dobrou. No ano passado foram devolvidos 49 milhões de cheques, sendo que 20% deles tinham como causa o roubo, fraude e clonagem. Em 2001, de 41 milhões de documentos devolvidos, 10% se referiam aos mesmos motivos.
Índice razoável seria de até 0,9%
Segundo o presidente da Abracheque, Carlos Pastor, o índice razoável de devolução de cheques para o varejo é entre 0,5% e 0,9%, muito inferior àquele efetivamente verificado pela pesquisa realizada.
Diante destes números, é importante destacar que todo cuidado é pouco por quem trabalha com cheques, principalmente o varejo. As formas de falsificação são muitas e os recursos tecnológicos cada vez mais avançados justificam os elevados índices levantados pela pesquisa.
As pessoas que têm seus nomes envolvidos na fraude também sofrem sérios danos. Isto porque apesar de existir previsão legal de que o banco deve ressarcir um correntista que teve um cheque alterado ou falsificado descontado de sua conta, é preciso correr atrás de provas para receber o dinheiro, o que, convenhamos, requer um “certo” trabalho.
Como funcionam as clonagens
Conforme explicou a Abracheque existem dois tipos de clonagem: manual e mecânica. Na manual, o fraudador utiliza uma folha de cheque verdadeira e apaga o nome e números do RG e CPF originais, trocando estes dados por outras informações. Normalmente isto acontece com cheques de pessoas que estão com o nome sujo e utilizam dados falsos para que o cheque seja aceito pelo comércio.
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No que se refere à clonagem mecânica, é feita uma impressão a laser de folhas de cheque, com nomes de usuários verdadeiros ou não. Ou seja, folhas de cheques falsas são fabricadas a partir de dados de cheques verdadeiros, o que significa que para isto é necessário ter acesso a um cheque original, como através de roubo. Se o cheque roubado estiver em branco os criminosos falsificam a assinatura, mas caso esteja assinado, adulteram os valores para mais.
Outro golpe que também tem ocorrido diz respeito à alteração da prazo de pagamento do cheque. Originalmente o cheque apresenta a praça de pagamento, de forma que os estelionatários têm adulterado este dado para uma outra cidade, diferente da original, onde o golpe será aplicado.