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A maioria dos carros que circula no Brasil continua sem seguro. Dos cerca de 63,3 milhões de automóveis em circulação no país, apenas 18,4 milhões estão protegidos, o equivalente a 29% da frota.
Na prática, mais de 44 milhões de veículos rodam sem cobertura securitária, segundo levantamento inédito da Comissão de Inteligência de Mercado da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), elaborado a partir de dados de seguradoras que representam cerca de 60% do mercado.
Apesar da baixa cobertura, o estudo mostra uma mudança no perfil de quem contrata seguro automóvel. A Classe C passou a concentrar a maior parcela dos segurados: 41% dos clientes pertencem a famílias com renda mensal entre R$ 5,6 mil e R$ 14,1 mil, consolidando a classe média como principal público do segmento.
O levantamento também traça o perfil do consumidor de seguro automóvel no Brasil. Mais da metade dos segurados está entre 36 e 55 anos, faixa que reúne consumidores em idade de maior renda, uso frequente do veículo e maior capacidade de contratação. São 29% entre 36 e 45 anos e outros 26% entre 46 e 55 anos.
Outro dado do estudo mostra que o seguro ainda está concentrado em veículos de menor valor. Cerca de 46% dos automóveis segurados valem até R$ 70 mil, enquanto outros 27% estão na faixa entre R$ 71 mil e R$ 100 mil.
Para o diretor Técnico, de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, Alexandre Leal, os números mostram que ainda existe um grande potencial de expansão do seguro automóvel no país.
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“O dado mostra que o seguro automóvel ainda possui enorme potencial de crescimento no Brasil. Existe uma parcela significativa da população que já possui veículo, mas ainda está fora do sistema de proteção securitária.”
Segundo ele, a expansão da Classe C entre os segurados tem estimulado o desenvolvimento de produtos mais adequados ao orçamento das famílias.
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“O próprio levantamento mostra que a Classe C já é protagonista do mercado de seguro automóvel. Isso acelera o desenvolvimento de produtos mais personalizados, coberturas modulares, contratação digital e modelos mais compatíveis com a realidade financeira das famílias.”
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Sudeste concentra maior parte do mercado
O estudo também revela forte concentração regional. O Sudeste responde por 58% da arrecadação do seguro automóvel no país, seguido pelo Sul (21%), Nordeste (11%), Centro-Oeste (8%) e Norte (2%).
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Segundo a CNseg, o desempenho acompanha a distribuição da frota nacional, a renda média das famílias, a urbanização e a concentração populacional. Sudeste e Sul reúnem cerca de 69% dos veículos em circulação no Brasil.
Entre os destaques regionais, o Centro-Oeste aparece com participação proporcionalmente maior na frota segurada do que no total de veículos do país. A região concentra 9% da frota nacional, mas representa 15% dos veículos segurados, resultado atribuído ao perfil econômico local e à maior dependência do automóvel.
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Mercado quase dobrou em dez anos
Além de mostrar o perfil dos consumidores, o levantamento indica que o mercado de seguro automóvel praticamente dobrou de tamanho na última década.
Entre 2016 e 2025, a arrecadação do segmento passou de R$ 31,7 bilhões para R$ 61,6 bilhões, alta nominal de 94%. O maior crescimento percentual ocorreu na Região Norte, onde a arrecadação aumentou 112% no período.
As indenizações também cresceram. Os pagamentos feitos pelas seguradoras passaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 35,5 bilhões, avanço nominal de 67% em dez anos.
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Para 2026, a CNseg projeta crescimento de 7,8% no seguro automóvel. A expectativa é que o resultado seja impulsionado pelo aumento das vendas de veículos, especialmente híbridos e elétricos, pela renovação da frota e pelo avanço da contratação digital.
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