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SÃO PAULO – O Goldman Sachs reduziu nesta terça-feira (4) a projeção de receitas e lucros das operadoras de cartões Cielo (CIEL3) e Redecard (RDCD3). As novas projeções levam à um preço-alvo menor para as ações de ambas as empresas nos próximos doze meses, além da redução da recomendação para a Cielo.
A expectativa do banco é de que o aumento da concorrência leve à uma queda do MDR (Merchant Discount Rate, taxa cobrada do lojista) mais rápida do que o esperado. “O declínio que esperávamos aconteceria até o final de 2013, agora acreditamos que se dê majoritariamente até final de 2011”, dizem em relatório os analistas Carlos Macedo, Jason Mollin e Wesley Okada.
Além da diminuição mais rápida do MDR, o declínio também pode ser maior do que o anteriormente esperado. A previsão é de queda de receitas de MDR nas transações de cartões de crédito de 40 pontos-base no final de 2011, para atingir 1,05%.
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Apesar disso, o cenário não é “de todo ruim”, segundo o banco. “Uma queda aguda, mas curta, dos MDRs poderia ser algo positivo para o setor se remover as incertezas”, diz o Goldman. Com isso, as expectativas para depois de 2013 não foram alteradas de modo significativo pelos analistas.
| Empresa | Recomendação | Preço-Alvo |
| Cielo | Neutra | R$ 15,00 |
| Redecard | Neutra | R$ 23,30 |
Redução de preço-alvo e recomendação
“Esperamos que os preços das ações de ambas as companhias fiquem pressionadas com o reajuste de receitas de MDR nos próximos trimestres”, reforçam os analistas. Desta forma, as novas projeções do Goldman Sachs levam o preço-alvo para os próximos doze meses da Redecard e Cielo a recuarem cerca de 10%, para R$ 23,30 e R$ 15,00, respectivamente. Para o Goldman, mesmo que a incerteza diminua, ainda irá demorar um certo tempo para que a confiança no momentum de ganhos das instituições se reestabeleça.
Com uma queda de 11% desde o início de outubro de 2010, quando a recomendação do Goldman fora revisada para compra, contra a baixa de 2% do índice, a Cielo teve ainda sua recomendação reduzida para neutra. A ação foi removida da lista de preferências na América Latina, já que a equipe de análise acredita ver alternativas mais interessantes no mesmo universo de cobertura.
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O Goldman atribui muito da recente fraqueza dos papéis da Cielo também aos fracos resultados trimestrais de sua principal concorrente, a Redecard, que trouxeram pessimismo ao setor. Além disso, comentários da gestão da companhia, em dezembro, indicam que os resultados do quarto trimestre podem não atingir as expectativas.
| Projeções Cielo | 2010 | 2011 | 2012 |
| Novas Receitas* | R$ 4.356,4 | R$ 4.180,8 | R$ 4.035,8 |
| Antigas Receitas* | R$ 4.406,4 | R$ 4.603,8 | R$ 4.270,0 |
| Novos EPS | R$ 1,35 | R$ 1,10 | R$ 0,92 |
| Antigo EPS | R$ 1,38 | R$ 1,33 | R$ 1,08 |
*em milhões
As novas estimativas para a Redecard trazem uma diminuição dos ganhos por ação de 2%, 17% e 11% a partir de 2010, para R$ 2,07, R$ 1,68 e R$ 1,44, respectivamente. Já as novas receitas estimadas ficam em R$ 3.392,2 milhões para 2010, R$ 3.208,8 milhões para 2011 e R$ 3.090.2 em 2012.
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Ações despencam
Frente a redução das recomendações e perspectivas para o setor, as ações de ambas as empresas sofrem intensas quedas na tarde desta terça-feira. Enquanto os papéis da Redecard recuam 4,01%, cotados a R$ 20,59, os ativos da Cielo perdem 2,94%, a R$ 13,20.