Cerca de 90% dos cheques sem fundos são pré-datados

Maioria das pessoas aponta o desemprego como principal fator para a inadimplência, em segundo lugar está a falta de planejamento financeiro

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SÃO PAULO – Uma pesquisa realizada pelo Instituo Gastão Vidigal, divulgada pela Associação Comercial de São Paulo (ACSP) apontou os cheques pré-datados como principais responsáveis pelo grande número de cheques devolvidos. De acordo com o levantamento feito com 210 consumidores durante o mês de junho, 90% dos cheques devolvidos por insuficiência de fundos são pagamentos pré-datados.

Maioria está com o nome sujo no SPC

Os motivos são muitos, dentre os quais pode se destacar o desemprego (43%) e a falta de planejamento das próprias finanças (15%). Em seguida está a queda da renda dos trabalhadores autônomos (10%) e doença em família (6%). Um dado curioso se destacou na pesquisa, pois houve um crescimento notável do percentual de desemprego em relação às pesquisas anteriores. Na última pesquisa realizada em março de 2002 o percentual era de 37% e em setembro de 2001, o nível estava em 28%.

Do total de consumidores entrevistados, 71% ainda afirmaram estarem com o nome sujo na praça e atualmente fazem parte do cadastro do Serviço Central de Proteção ao Crédito (SPC). Além disso, os dados mostraram que entre estes, 62% passaram a emitir cheques sem fundos após terem seu nome incluído no SPC.

O valor médio dos cheques devolvidos por cliente é de R$ 10,80, sendo que a maioria é reincidente. Os gastos, no entanto, são bem distribuídos, sendo que as roupas e calçados são o principal alvo das compras com cheques pré, respondendo por cerca de 17% das respostas apuradas durante a pesquisa. Em seguida está o setor de alimentação (12%), seguido pelo setor de combustíveis, eletrodomésticos, móveis e material de construção, sendo que estes últimos juntos somaram 9% das respostas dos consumidores.

UseCheque previne comerciante

Embora não exista uma maneira 100% segura para evitar este tipo de situação, o comerciante deve ficar atento aos serviços disponíveis no mercado a fim de evitar maiores prejuízos em seu caixa. Isto por que mesmo com o nome sujo, o consumidor continua emitindo cheques frios sem grandes restrições, o que mostra que as empresas têm investido pouco neste tipo de segurança.

Um exemplo é o serviço UseCheque da ACSP, que permite uma série de cruzamentos de informações utilizando como base de dados o cadastro da Serasa, afim de evitar que aconteçam novas fraudes. O presidente da entidade, Alencar Burti, ressaltou que a entidade vem mantendo constantes contatos com o Banco Central no combate à questão dos cheques sem fundos. Dentre as sugestões para o amento da segurança, uma das propostas é a de restringir a concessão de talões de cheques para os clientes inadimplentes com normas mais rígidas.